quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sarney festeja transformação do Maranhão em imensa favela

CLÓVIS ROSSI

O óbvio e a indigência

SÃO PAULO - É tão indigente o nível do debate público no Brasil que um jornal do porte desta Folha se vê compelido a dizer o que, em outro país, seria tratado como a quintessência do óbvio.

Refiro-me ao trecho do editorial de ontem sobre a CPI da Petrobras que afirma que "nenhuma empresa que atue no Brasil, quanto menos uma estatal da importância da Petrobras, está imune a investigação parlamentar".

O inacreditável é que há um punhado de governistas, até com responsabilidades ministeriais, que nega o óbvio e jura que investigar a Petrobras é crime de lesa-pátria.

Se uma empresa, qualquer que seja, não resiste a uma auditoria externa, como é uma CPI, é melhor mesmo que feche, porque está escondendo algo de podre.

É óbvio que a oposição também revela sua cota de indigência ao empenhar-se em uma investigação que não figura entre as 50 grandes prioridades da pátria. Mas haveria mil argumentos para contestar a CPI sem cair na suposição de inimputabilidade da Petrobras.

Outro governista que revela pobreza incrível de argumentação é o presidente do Senado, José Sarney, na carta em que procura rebater a irrebatível coluna de Luiz Fernando Vianna sobre o Maranhão. Diz Sarney que "alguns índices sociais [do Maranhão] são péssimos, mas iguais ou melhores do que os de favelas em São Paulo e no Rio".

Meu Deus do céu, se tudo o que há para festejar no reinado da família no Maranhão é a sua transformação em uma imensa favela, não é melhor ficar quieto?

Note-se que é argumento de político com vastíssima quilometragem rodada e que já ocupou todos os cargos eletivos relevantes no Estado e no país, além de escritor guindado à Academia Brasileira de Letras. Se esse é seu nível de argumentação, poupem-me das teses do chamado baixo clero.

Em Tempo:

Com o titulo Babaçuais ondulantes, o jornalista Luiz Fernando Viana, fala sobre as contradições vividas pela Maranhão e no que foi transformado esse estado rico de potencialidades, pela família Sarney, que transcrevo parte desse artigo, publicado no jornal Folha de São Paulo, de terça-feira, 19/05, que segue: "O Maranhão não suportava mais nem queira o contraste de suas terras férteis, de seus vales úmidos, de seus babaçuais ondulantes, de suas fabulosas riquezas potenciais com a miséria, com a angústia, com a fome, com desespero das ruínas que não levam a lugar nenhum, senão ao estágio em que o homem de carne e osso é o bicho de carne e osso." Essas palavras que constam do texto desse jornalista, não são do jornalista, mas extraídas do discurso de posse de José Sarney, ao assumir o governo do Maranhão em 1966. De lá prá cá, o Maranhão ao invés de melhorar, piorou, ao ponto se ser comparado com as favelas de São Paulo. Podbre Maranhão. (DS)

Nenhum comentário: