sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Para os nossos governantes as pessoas não são prioridades, mas a propaganda


A todo o momento nós nos deparamos com notícias sobre paralisações no setor público. As greves nesse setor vem se tornando corriqueiras, devido o achatamento salarial do servidor público

Antes do Partido dos Trabalhadores (PT) chegar ao poder, movimentos paredistas só aconteciam no setor privado. Raramente se ouvia falar de uma greve de servidor público, sobretudo, no setor de segurança pública. Mas ocorre que antes da Constituição Federal de 1988, o servidor público não podia fazer greve. A Constituição Federal de 1988 assegurou o exercício do direito de greve pelos servidores públicos civis, a ser regulamentado através de lei complementar; como tal lei complementar nunca foi elaborada, o entendimento inicial - inclusive do STF - foi o de que o direito de greve dos servidores dependia de regulamentação.

Essa falta de regulamentação, entretanto, não impediu o exercício pleno do direito constitucionalmente estabelecido, porque, como bem afirmado pelo Ministro Marco Aurélio, atual Presidente do STF, a greve é um fato, decorrendo a deflagração de fatores que escapam aos estritos limites do direito positivo.

Mas o que causa estranheza, espécie, é o fato dos governos, toda vez que uma categoria reivindica aumento, eles alegarem não dispor de meios para atender ao pleito, dessa ou daquela categoria, mas nunca falta dinheiro para os governantes torrarem em publicidade, que só interessa a pessoa do governante. Porque o que interessa mesmo ao povo é a existência de serviço público de qualidade pelo menos razoável. O que o povo brasileiro não tem, nunca teve.  

As greves no setor privado praticamente deixaram de existir sob os governos FHC, Lula e Dilma, não por falta de motivos, porque as condições trabalhistas no Brasil permanecem as mesmas, mas devido o fim do pleno emprego, que obriga o trabalhador empregado a se submeter a ganhar salários aviltantes, a uma jornada de trabalho que fere a legislação trabalhista e ainda terem de ficar o tempo todo disponível para a empresa. E aquele que não se adequar a essa nova realidade, tem os seus dias contado na empresa.

Os bancários que trabalham nos bancos oficiais, esses são verdadeiros escravos brancos, porque além dos salários humilhantes, degradantes, eles ainda são obrigados, submetidos a cumprir metas. E quando isso não acontece, o gerente exerce uma pressão tão violenta sobre os seus subordinados, que acaba causando sérios danos à saúde mental do trabalhador.

Na propaganda oficial, o brasileiro vive no melhor dos mundos. O que não é verdade. Em passagem pelo Brasil para participar de uma série de palestras envolvendo o lançamento de seu livro, “Religião para ateus”, o filósofo suíço Alain de Botton vem causando comoção no Twitter com comentários sobre o país. Neles, o filósofo comenta a desigualdade social da cidade de São Paulo.

Se essa desigualdade se restringisse só ao estado de São Paulo, ainda era possível salvar o Brasil, mas infelizmente, ela não está restrita só a São Paulo. Lá como cá, a propaganda corre solta, vendendo um mundo ideal.

siga no Twitter e no Facebook ao blog Dom Severino ( severino-neto.blogspot.com) @domseverino 

Nenhum comentário: