domingo, 19 de maio de 2013

A poesia segundo R. Negreiros

Voltei

Trazendo no baú imaginário
Quinquilharias, trapos de lembranças,
Quarenta anos de lutas em terreno alieno...
Lutas inglórias, pelejas salutares,
Entremeadas de vitórias e fracassos...
(Estes, olvidados, esconjurados,
Pois que interessa ruminar o amargo
E acrescentar ao rosto uma ruga a mais?...)

Voltei para ficar
E pouco importa lembranças de outras plagas,
Somente as trazias da infância, da juventude,
Intactas, resistentes...
Na vigem imaginária:
(Meu pai, minha mãe, meus irmãos meninos,
Traquinando ao dia-a-dia de nosso belo mundo sem fronteiras).

Voltei em busca do passado:
Deleitar-me com boas lembranças,
Rever amigos de outrora
E buscar em suas fisionomias, cansadas como a minha,
A criança esperta, o eterno jovem,
Sempre cúmplice m nossas travessuras sem maldades!...

Nessa busca silenciosa
As pistas se ocultam
Por trás do turvo dos olhos,
Das rugas e deformações físicas
Que a idade nos impôs:
A flacidez por inteiro,
A dentição desgastada
E os cabelos escassos...

Onde estaria aquele jovem elegante,
Aquela menina coquete?!...
(E no alongar dos diálogos
Quase nos desculpamos
Por nossa aparência atual).

Mas dentro de cada um
Pouco a pouco vão surgindo
As lembranças mais sutis,
A mútua admiração e respeito
Por ignotas virtudes...

É a comunhão dessas almas,
Amigos se reencontrando
Mais jovens do que nunca!...

R. Negreiros - foi um poeta, escritor (escreveu o livro Geminiano, um conto romanceado) e administrador de empresas piauiense, nascido em São Raimundo Nonato (PI).

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