terça-feira, 1 de março de 2016

A poesia segundo Jucivaldo Dias



A chuva no meu sertão



Se vê pelas estradas

Os campos verdejantes,

As veredas embrejadas,

Não é mais como era antes

Parece que a Natureza

Esmerou toda beleza

De forma exuberante,

Enquanto a chuva cai diversa

O Sertão se recupera

De uma seca cruciante.



Xiquexique e jacurutu

Que antes não tinha botão

Xixá e mandacaru

Estão cheios de babão,

Na mesinha da paioça

Do agricultor da roca

Tem pamonha e requeijão

Além do leite de gado

Meu Deus muito obrigado

Pela chuva no Sertão.



Fedegoso e muçambê

Hortiga e cansansão

Só quem entra é o saruê

Que é bicho de opinião,

Jurema e unha de gato

Reformando o retrado

Da caatinga do sertão

Dificultando o vaqueiro

Enfrentar esse balceiro

Atrás de um barbatão.



O jumento se mostrando

Com seus dotes naturais

Como quem está pensando

Naquilo que não fez mais,

A caatinga que tava preta

Se encheu de borboleta

Enfeitando os matagais,

Vou dizer mais uma vez

As coisas que Deus fez

O homem morre e não faz.



Caranguejo, cobra e sapo

Já se vê pra todo lado

Cururu inchou o papo

De cantar empapusado,

A noite não fez pausa

Meu Deus por esta causa

Me deu pena do coitado,

Comeu tanta saúva,

Pra depois cantar na chuva

E morreu empanzinado.



Quando olho a Natureza

Me dá mais inspiração

Sua infinita grandeza

Comove meu coração,

As águas do riacho

Que desce morro a baixo

Desbravando este rincão,

É com razão que me expresso

Transformando tudo em verso

As coisas do meu Sertão.



Quando pousa de mansinha

É bonito a gente ver

Logo de manhanzinha

Que a barra se romper,

A neve cai no chão

E um bando de arribação

Começam aparecer

A procura de babujos

E pequenos caramujos

Pra cortar e comer.



Esta grande riqueza

Que Deus nos oferece

Divindade da Natureza

Que muitos não agradece,

Quando o ronco do trovão

Ecoa pelo sertão

Logo assim que anoitece

Ao Senhor São José

Meu Santo de muita fé

A ele faço uma prece.



Acho que Santo Antônio

Se tornou meu grande amigo

Pois até meu matrimônio

Está fora do perigo,

O gado ganhou a caatinga

E a mulher que tanto xinga

Nunca mais brigou comigo

Enquanto a chuva cai no chão

Nós se enrola num colchão

E o resto eu não digo.



Mel de abelha branca

Munduri e inchu

Coisa mimosa e franca

É a cebola de tatu,

Não há mais carnificina

Nem aves de Rapina

Carcará, nem urubu,

É só fartura no Sertão

Tem milho verde e feijão

Toucinho de porco e tutu.



Mel de abelha tubi

Umbu e melão

Mandasaia e jatoí,

Cupira no chapadão,

Fartura de umbuzada

Riquezas da invernada

Que neste caro torrão

Enriquece qualquer família

Meu Deus que maravilha

A chuva no meu sertão.

JUCIVALDO DIAS é um poeta piauiense, nascido em São Raimundo Nonato
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