quarta-feira, 11 de maio de 2016

60% dos julgadores de Dilma respondem a processo na Justiça

'Atlas Político' mostra que parcela dos que tem pendências é similar entre os pró e contra presidenta

Legenda: Gleisi (PT), envolvida na Lava Jato, e Anastasia, que fez 'pedaladas' no Governo de Minas. Agência Senado

São Paulo

Por Gil Alessi (El País)

Nesta quarta-feira o Senado vota o afastamento provisório da presidenta Dilma Rousseff por 180 dias –  o que pode ser tornar o penúltimo passo para sepultar de vez o Governo da petista. Basta uma maioria simples no plenário (41 dos 81 senadores) para que o vice Michel Temer (PMDB) assuma a chefia do Executivo temporariamente. A Casa Alta do Parlamento conta com ex-governadores, ex-ministros e até um ex-presidente entre seus integrantes e é considerada mais experiente, um contraponto à Câmara, repleta de políticos neófitos. Mas há algo no currículo de alguns senadores além dos cargos executivos já ocupados: de acordo com levantamento do Atlas Político, 49 deles (60%) são alvos de processos na Justiça. Dentre os parlamentares favoráveis ao impeachment, o porcentual é de 61% (30 de 49), e entre os contrários 63% (12 de 19). Sete dos 13 senadores indecisos estão envolvidos em querelas judiciais. As acusações variam, mas as de lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem financeira, corrupção e crimes eleitorais predominam.

“O Senado não pode ser considerado uma Casa moralmente superior à Câmara dos Deputados se levado em conta o nível de corrupção dos seus integrantes", afirma Andrei Roman, cientista político formado em Harvard e um dos idealizadores do Atlas. Ele critica ainda o fato de que atualmente 11 senadores da Casa são suplentes. "Geralmente os suplentes do Senado não receberam voto algum, diferente do que acontece na Câmara. Muitas vezes eles são escolhidos apenas por serem grandes doadores de campanha", afirma. Para Roman isso gera um déficit de representatividade "sensível" e prejudicial "em um momento como esse".

O próprio senador Antonio Anastasia (PSDB-MG relator da comissão especial de impeachment que recomendou o afastamento de Dilma, chegou a enfrentar questionamentos por ter supostamente cometido o mesmo tipo de irregularidade atribuído à presidenta. De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, entre 2010 e 2014, período no qual ocupou o Governo de Minas Gerais, o parlamentar teria editado decretos de suplementação orçamentária supostamente sem aval do Legislativo – o que configuraria uma pedalada nos moldes das que são imputadas à presidenta. Ao ser criticado por senadores petistas, Anastasia afirmou que “nenhum cidadão mineiro apresentou pedido de impeachment durante o meu Governo”. “Poderia dedicar parte do meu relatório a explicar minhas contas, mas isto é desnecessário: qualquer arguição que exista será julgada oportunamente”, afirmou o tucano.

 

Renan é alvo de 9 inquéritos


O presidente do Senado, Rena n Calheiros(PMDB-AL), também é alvo de nove inquéritos da Lava-Jato. As suspeitas contra ele giram em torno de irregularidades que vão de recebimento de propina em acordos com a Petrobras, propinas em contratos com a Transpetro (subsidiária da petroleira) e favorecimento à Serveng, uma das empresas envolvidas no esquema. Ele é investigado por lavagem de dinheiro e corrupção. A defesa do peemedebista nega qualquer irregularidade.

Em alguns casos, as querelas com a Justiça alcançam pai e filho. É o caso do presidente da Comissão e Justiça da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e seu pai, o senador Benedito de Lira (PP-AL). Os dois são investigados pela Polícia Federal por suspeita de corrupção passiva no âmbito da Lava Jato. Em fevereiro deste ano o STF determinou o confisco dos bens dos dois no valor de até 4 milhões de reais. Os parlamentares negaram ter cometido ilícitos. Fonte: El País
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