terça-feira, 2 de agosto de 2016

A poesia segundo Ferreira Gullar



O morto

não está de sobrecasaca
não está de casaca
não está de gravata.

O morto está morto

não está barbeado
não está penteado
não tem na lapela
uma flor
                  não calça
sapatos de verniz

não finge de vivo
não vai tomar posse
na Academia.

O morto está morto
em cima da cama
no quarto vazio.

Como já não come
como já não morre
enfermeiras e médicos
não se ocupam mais dele.

Cruzaram-lhe as mãos
ataram-lhe os pés.

Só falta embrulhá-lo
e jogá-lo fora.

Nesta poesia o poeta maranhense Ferreira Gullar homenageia o maior cineasta brasileiro e quiçá do mundo: o baiano do município de Feira de Santana, o irrequieto, incendiário, o revolucionário e o panfletário. Em suma: o gênio da raça Glauber Rocha.  
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