segunda-feira, 15 de agosto de 2016

“Vestida para enganar”, por Evandro Junior



Em uma das minhas andanças por nossa cidade, mais especificamente em um dos bairros da nossa periferia, deparei-me com um senhor sentado à porta da sua casa, numa daquelas cadeiras de espaguete, com o olhar perdido, parecia ele, refletir sobre a vida.

Já era final de tarde, parei a moto, aproximei-me dele e o cumprimentei educadamente e ele me ofereceu assento. Começamos a conversar. Conversa vai, conversa vem, tocamos no assunto política que, hoje, é o mais debatido no nosso meio.

Inicialmente, começamos a falar sobre a política a nível nacional, ele de pronto comentou que achava uma injustiça o que estavam fazendo com Dilma e Lula. Segundo ele, foram os únicos governantes que deram uma atenção especial aos mais carentes. Disse ele, “Antes do Lula ser presidente, pobre não tinha vez.”

Partimos então para a política local, foi aí que me surpreendi com as sábias palavras daquele senhor de semblante sofrido e a pele enrugada pelo passar dos anos. Conforme me disse, não tinha estudo, a escola dele fora a vida. Vida essa a qual é comum a maioria do nosso povo.

Falamos então sobre os candidatos que estão a disputar o pleito eleitoral em nossa cidade. Citei um a um, nome por nome. A resposta dele foi que desses só conhecia dois. Um era o atual prefeito Avelar e, o outro era a vereadora Elizete.

Reforcei a pergunta sobre os outros dois. Ele novamente alegou desconhecer, apesar de segundo ele já ter visto uma candidata no distrito da Lagoa da fora. “Essa eu vi, conhecer não conheço.” Daí lhe perguntei o que ele tinha achado dela, foi aí que recebi a resposta que me surpreendeu. 

Ele disse: “meu filho ela pra mim se veste para enganar.” Eu mesmo tendo entendido o que disse, pedi a ele que me explicasse a sua opinião: Sem pestanejar ele me explicou: “Eu tenho 35 anos que moro nesse bairro, quando construí essa casa, aqui era só o mato. Hoje aqui tem tudo, água, energia e calçamento. Eu conheço bem quem é daqui e quem não é. Sei ao longo dos meus 67 anos o que é política. Sei também quem são aqueles que só aparecem na casa do pobre para pedir voto. Por isso eu estou lhe falando.

Nunca vi ela andar por esses lados, é a primeira vez. Só de olhar no olho da pessoa eu já sei quem ela é. E pra mim, ela só está encostando nos pobres por que está querendo voto. “

Sem mais demora eu me despedi e, trouxe comigo essa lição: O povo não é bobo, não tem maquiagem que consiga enganar aqueles que realmente conhecem nossa cidade.

Obrigado seu Alberto, o senhor deixou uma lição, não só para mim, mas, para todos os sanraimundenses.

Vestido para enganar na opinião desse senhor aparentemente humilde e de poucas letras é uma jogada de puro marketing político, onde o marqueteiro despe o seu produto da roupa de grife e a veste com uma nova roupa simples, para que o candidato(a) em questão, aparente ser uma pessoa do povo, uma pessoa humilde; o que uma pessoa que ascendeu socialmente dificilmente consegue. Geralmente o marqueteiro opta por vestir o seu candidato ou sua cliente com uma calça jeans e tênis surrado. Só que a calça é da marca Diesel e o tênis  Nike SB Flom Dunk High

por Evandro Júnior

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