domingo, 1 de janeiro de 2017

A poesia segundo o roqueiro baiano Marcelo Nova




O Adventista

Eu acredito no bem e no mal
Eu acredito no imposto predial
Eu acredito, eu acredito

Eu acredito nos livros da estante
Eu acredito em Flavio Cavalcante
Eu acredito, eu acredito

Não vai mais haver amor
Neste mundo nunca mais

Eu acredito no seu ponto de vista
Eu acredito no partido trabalhista
Eu acredito, eu acredito

Eu acredito em toda essa cascata
Eu acredito no beijo do Papa
Eu acredito, eu acredito

Não vai mais haver amor
Neste mundo nunca mais

Eu acredito em quem anda com fé
Eu acredito em Xuxa e em Pelé
Eu acredito, eu acredito

Eu acredito na escada pro sucesso
Eu acredito em ordem e progresso
Eu acredito, eu acredito

Não vai mais haver amor
Neste mundo nunca mais

Eu acredito que o amor atrai
Eu acredito em mamãe e em papai
Eu acredito, eu acredito

Eu acredito no Cristo que padece
Eu acredito no INPS (INSS)

Eu acredito, eu acredito

Não vai mais haver amor
Neste mundo nunca mais

Eu acredito no milagre que não vem
Eu acredito nos homens do bem
Eu acredito, eu acredito

Eu acredito nas boas intenções
Mas esse papo já encheu os meus botões

Eu não acredito
Eu não acredito

Não vai mais haver amor
Neste mundo nunca mais

“Eu só acredito no homem da caverna, pois esse não faz guerra, não precisa de roupa, de aparelhos hi tech, para se alimentar ele caça e pesca. Ele não compra nada em supermercado, não usa produto industrializado, não frequenta catedral (igreja) para não ter que cruzar com um bispo da Igreja Universal. Não faz política, para não ter que participar de reuniões de cúpula, de gente filha da puta, que mente descaradamente só para nos engabelar. Eu só em Pai de Santo.” (Dom Severino)
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