sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A certeza da impunidade reproduz e aumenta a violência

Violência e impunidade caminham juntas ou violência rima com impunidade. É óbvio que a violência não tem uma única causa, mas, ela toma corpo e se agiganta num ambiente onde a impunidade é a regra e não a exceção. Esse é o caso do Brasil.

A violência que acontece no campo e nas cidades brasileiras, deve-se muito a impunidade que nada mais é, que a ausência de condenação e a não permanência por muito tempo na prisão daqueles que dispõem de recursos para contratar uma banca advocatícia renomada.

A impunidade que sempre esteve entranhada em nossa história, hoje assume proporções assustadoras e preocupantes, porque nós os brasileiros temos hoje plena certeza de que impunidade gera violência, uma vez que o criminoso confia no poder do dinheiro para se livrar da prisão e, com base nessa certeza, ele passa a praticar mais crimes e a não temer a justiça.

O maior exemplo da reincidência na transgressão ou na transgressão continuada são os mensaleiros que julgados e condenados pela justiça, voltaram a praticar crimes como os do Petrolão.

Com a prisão após condenação em segunda instância, a sociedade brasileira passou a alimentar a esperança de que a corrupção e a impunidade estariam com os seus dias contatado, porque os criminosos ricos e poderosos que sequer passavam em frente a um presídio foram condenados e presos. Mas como tudo sugere, quem está com os seus dias contados é o instituto da condenação após segunda instância. Após a terceira reunião do pleno da Suprema Corte, embora esse tipo de condenação ainda esteja vencendo, mas como ainda faltam votar os “ministros garantistas”, o sonho do povo brasileiro da construção de um país decente e digno vai se transformar em pesadelo. Não foi à toa que após o voto da ministra Rosa Weber um grupo de advogados criminalistas comemorou no recinto do STF esse voto que praticamente mata a condenação a partir da segunda instância.  

Condenação só a partir do transitado em julgado só interessa ao criminoso e aos advogados criminalistas que apelam indefinidamente para as cortes superiores e o criminoso poderá morrer antes de ser julgado e condenado. O caso mais emblemático de impunidade e que reforça os argumentos daqueles que defendem a condenação após segunda instância é o do criminoso jornalista Pimenta Neves que assassinou sua amante e só foi preso 11 anos depois do crime ser praticado.   

Nenhum comentário: