Em tese, política não é uma ação entre membros de uma mesma
família. Lamentavelmente, são muitos os profissionais políticos, mas carregamos um certo grau de culpa no modelo de política que
temos, pois somos nós que elegemos os políticos.
É preciso considerar que, se reelegermos um candidato que se
tornou profissional da política, estaremos afastando-nos do exercício do bem
comum. Nenhum político servirá ao bem comum ou retomará o bom propósito, se
continuarmos neste provincianismo, nesse colonialismo político, num sistema
político que elege pais, filhos, esposas, genros e noras de “caciques” e
“coronéis da política nacional”; políticos que em campanha apelam para
discursos demagógicos, apenas para a ocasião e prometem o que não podem cumprir.
A região Nordeste é pródiga em perpetuar clãs na vida
política, com o eleitor nordestino elegendo o marido, depois a esposa, em
seguida o filho (a) e até genro. No estado do Piauí, por exemplo, essa prática
começa pelo governador do estado, o petista Wellington Dias, que não satisfeito
com o acúmulo de vários mandatos, sendo que só de governador, já são quatro
mandatos, esse político ainda vem elegendo a sua esposa deputada federal, um
cargo que ela vive revezando nos governos do seu marido com a função de
secretária de educação do seu estado.
Outro exemplo é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que já
acumula vários mandatos de senador e deputado federal e que após deixar a
Câmara Federal, elegeu sua esposa - que já está no seu terceiro mandato; ambos
filhos de tradicionais famílias políticas do estado do Piauí. Isso talvez
explique a baixa renovação da representatividade do Piauí no Congresso
Nacional. A família Portela a qual pertence Iracema Portela, já produziu dois
governadores em menos de 50 anos. No estado do Piauí, a política, via de regra,
é um verdadeiro negócio de família, rica de preferência.
por Tomazia Arouche
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