quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A política não deveria ser uma profissão e nem uma herança familiar


Em tese, política não é uma ação entre membros de uma mesma família. Lamentavelmente, são muitos os profissionais políticos, mas carregamos um certo grau de culpa no modelo de política que temos, pois somos nós que elegemos os políticos.

É preciso considerar que, se reelegermos um candidato que se tornou profissional da política, estaremos afastando-nos do exercício do bem comum. Nenhum político servirá ao bem comum ou retomará o bom propósito, se continuarmos neste provincianismo, nesse colonialismo político, num sistema político que elege pais, filhos, esposas, genros e noras de “caciques” e “coronéis da política nacional”; políticos que em campanha apelam para discursos demagógicos, apenas para a ocasião e prometem o que não podem cumprir.

A região Nordeste é pródiga em perpetuar clãs na vida política, com o eleitor nordestino elegendo o marido, depois a esposa, em seguida o filho (a) e até genro. No estado do Piauí, por exemplo, essa prática começa pelo governador do estado, o petista Wellington Dias, que não satisfeito com o acúmulo de vários mandatos, sendo que só de governador, já são quatro mandatos, esse político ainda vem elegendo a sua esposa deputada federal, um cargo que ela vive revezando nos governos do seu marido com a função de secretária de educação do seu estado.

Outro exemplo é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que já acumula vários mandatos de senador e deputado federal e que após deixar a Câmara Federal, elegeu sua esposa - que já está no seu terceiro mandato; ambos filhos de tradicionais famílias políticas do estado do Piauí. Isso talvez explique a baixa renovação da representatividade do Piauí no Congresso Nacional. A família Portela a qual pertence Iracema Portela, já produziu dois governadores em menos de 50 anos. No estado do Piauí, a política, via de regra, é um verdadeiro negócio de família, rica de preferência.

por Tomazia Arouche

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