sábado, 28 de fevereiro de 2009

Um lugar perdido no tempo... Mas perto dos olhares simples


Ao viajar no tempo através da minha memória, sinto saudades de um lugar...

...Um lugar simples, com a simplicidade existindo em toda parte, sem ninguém para destoar nesse convívio.

Às vezes me sentia um pouco entediado nesse ambiente da mais pura e real simplicidade, mas logo recuperava o animo ao me deparar com gestos que me preenchiam de uma ternura única.

Esse lugar único existe isolado daquilo que se convencionou chamar de civilização. Talvez por isso, é que ele seja tão singular.

De uma beleza extraordinária, marcada pela natureza abundante, naquele lugar eu vivia envolvido por um doce encantamento.

O lugar mais fascinante desse paraíso perdido é um poço construído por mãos humanas no leito de um rio periódico, de onde jorra uma água cristalina, de um azul da cor do céu. Um azul suave e transparente.

Caldeirão é o nome desse lugar mágico, de pessoas generosas que recebem a todos sem fazer perguntas, sem querer saber das suas origens, da sua linhagem social -, se se é rico ou pobre. Para essa gente, o que verdadeiramente importa é a pessoa.

Lá nesse lugar ao acordar em plena madrugada, certo dia, me levantei e sai para o pátio da fazenda e de repente me vejo olhando estrelas e me sentindo harmonizado com tudo e todos. Num estado do mais puro êxtase.

Dona Isabel a matriarca dessa família que me acolheu,era um ser de uma suavidade, pureza, leveza e tranqüilidade - estar ao seu lado, era como receber eflúvios que nos levavam a experimentar uma doce sensação de bem estar, que só se experimenta na presença de verdadeiras santidades.

Na sua presença, era como se eu estivesse na presença de um anjo.

Dona Isabel de repente se transformou num anjo definitivo e virou éter. (Zeca Arouche)

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