terça-feira, 23 de maio de 2017

Paul Mauriat - El Condor Pasa


A poesia segundo Fernando Abreu



burroughs na amazônia

replicando o pajé que soprou
a fumaça do tabaco
sobre o vinho bárbaro
que enfim se revelava
a seus lábios de navalha
william s. burroughs soltou a névoa
do mata-ratos que usava desde que
trocara o deserto mexicano
pelas vielas da amazônia
sobre a cuia que o poema imagina de barro
ou velha caneca enrugada
fim da busca pelo barato definitivo
que deveria curá-lo da doença da heroína
o gesto ritual reencenado
pode ser visto como um espasmo
de ironia senhorial
na mente do junkie egresso de harvard
ou como a silenciosa expressão
do mais puro júbilo
Inteiramente impossível
em outras circunstâncias.

Fernando Abreu é um poeta, letrista e escritor maranhense. Tem quatro livros de poemas publicados, sendo o mais recente Manual de Pintura Rupestre (7 Letras, 2015). Antes vieram Aliado Involuntário (Exodus, 2011), O Umbigo do Mudo (Clara Editora, 2003) e Relatos do Escambau (Exodus, 1998). Como letrista, tem parcerias com Zeca Baleiro, Chico César, Marcos Magah e Nosly, entre outros.

Madeira que Cupim Não Rói - Antonio Nobrega



ANTÔNIO NÓBREGA é um caso excepcional no Brasil. E um desaguadouro de múltiplas vertentes. Entre elas as das criações de nosso folclore, das histórias picarescas, da literatura de cordel, do circo mambembe, das folias carnavalescas e etc., tudo isso trabalhado por alguém, com formação erudita, que se dedica a resgatar as melhores tradições nas artes populares. Mas que as relança como a arte brincante, na qual a vida e a arte se confundem. Brincante porque a arte tem de educar, mas divertindo, e como um dos elementos para a transformação da sociedade. Como entende tal mister, como chegou a ele e o que pretende continuar fazendo? Eis o que relata nesta entrevista a Estudos Avançados”. (Marco Antônio Coelho; Aluísio Falcão)

A poesia segundo Tomazia Arouche



Nós somos apenas números

Nós somos números nos bancos, nós somos números numerais, números decimais, números inteiros, números fracionários, número múltiplos e números divisíveis por 2, por 3, por 4 e etc, etc.

Nós somos números na RG, no CPF, no Título Eleitoral, no cartório, no necrotério e no cemitério.

Nós fomos transformados em números desumanizados, despersonalizados e sem rosto.

Nós somos números na numeração da rua, nas notas fiscais dos fornecedores de água e luz.

Nós somos também “senha” na relação com gerentes das empresas com as quais nos relacionamos.