segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A poesia segundo Ferreira Gullar



Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira.

O país precisa de um estadista pacificador

Unir o país é imprescindível e urgente. Com o país desunido e com cada um puxando para o seu lado, o que veremos é o caos se impondo e ai todos sofrerão as consequências.

No momento atual da vida nacional, nós não temos uma liderança política com o perfil e as características de um estadista, alguém com capacidade para unir e conduzir este país a um porto seguro.

A situação do Brasil é de tamanha gravidade, que não existe uma saída possível, fora de um grande pacto de salvação nacional. Um pacto que reúna em torno de uma mesa, políticos, empresários, centrais sindicais, CNBB, OAB, ABI, UNE, Conselho das igrejas protestantes no Brasil e as Forças Armadas. 

Com um presidente da república com elevado índice de rejeição, um Congresso Nacional desmoralizado e o Poder Judiciário sendo perseguido pela nossa classe política, só sairemos dessa encruzilhada com uma liderança pinçada, fora do mundo político e que seja respaldado pela sociedade brasileira. 

E quem poderá desempenhar o papel de salvador da pátria? Neste momento só um nome com respaldo popular e a confiança do país para assumir uma tarefa que requer confiabilidade, respeito e a admiração do povo brasileiro: o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa. Fica aqui a sugestão.

O trenzinho do caipira -- Edu Lobo.wmv




O Trenzinho do Caipira é uma composição de Heitor Villa-Lobos e parte integrante da peça Bachianas Brasileiras nº 2. A obra se caracteriza por imitar o movimento de uma locomotiva com os instrumentos da orquestra. Anos depois, a melodia recebeu letra composta por pelo poeta maranhense Ferreira Gullar em Poema Sujo:

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar, no ar... (...)

É preciso ‘sanear’ o Poder Legislativo




“Graças ao ministro José Dias Toffoli, o Senado continuará a ser presidido por Renan Calheiros (PMDB-AL), convertido em réu na semana passada por desvio de dinheiro público”. (Noblat)

O Congresso Nacional precisa passar urgentemente por um rigoroso processo de higienização, para remover as impurezas e os vícios que enlameiam e enxovalham o parlamento nacional.

O Brasil não pode continuar convivendo com políticos que maculam, desonram a imagem do país interna e externamente.

Um país cujo presidente do Senado é réu e responde a mais 12 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente da Câmara Federal está preso numa das carceragens da Polícia Federal na cidade de Curitiba e mais de uma centena de parlamentares, ex-parlamentares e ex-governadores constam da lista de uma empreiteira que foi obrigada a devolver aos cofres do Tesouro Nacional, R$ 6,8 bilhões pagos através de propinas -, é um país doente e que se nada for feito no sentido de curá-lo, morrerá mergulhado no Mar de Lama da Corrupção.