quarta-feira, 4 de março de 2009

O poeta é um diletante

Poucos poetas em nosso país puderam e podem se dá ao luxo de viver de poesia. Pensando rapidamente, me vem logo à memória os nomes de Carlos Drummond de Andrade,Manoel Bandeira, João Cabral de Mello Neto e Vinicius de Moraes. Esses os maiores expoentes da poesia brasileira, que pelo que me consta, conseguiram se manter através dessa arte importante, mas pouca valorizada entre nós.

Eu também sonhei um dia ser um poeta do naipe de um Gonçalves Dias, Raimundo Correia, Ferreira Gullar e Vespasiano Ramos; todos poetas maranhenses. Nos meus devaneios me via imortalizado e participando desse panteão.

Cheguei a reunir um farto material que julgava ser poesia. Não sei ao certo se poesia concreta ou neoconcreta. Só sei que era arte, fruto da minha inquietação intelectual, das minhas vivências e experiências recolhidas no dia a dia.

Certa vez resolvi mostrar a uma amiga maranhense que trabalhava na Editora Mori (uma editora onde eram publicados os jornais alternativos: Lampião, Opinião e Movimento, se não me falha a memória), localizada na Rua do Resende, na zona central do Rio de janeiro, capital. Isso na década de 70.

Não sei o que foi feito de todo esse material, porque desde o dia em que visitei essa editora nunca mais voltei a encontrar essa minha amiga e nem tão pouco procurei saber do que foi feito de tudo aquilo que eu havia produzido. Pouco tempo depois essa editora fechou as suas portas, em virtude do desaparecimento dos jornais alternativos, com o fim da censura e o relaxamento da Lei de segurança Nacional.

A poesia não me comove mais, não me apetece mais e se muito, leio as poesias produzidas pelo poeta maranhense Rubervam Du Nascimento (hoje mais piauiense do que maranhense). Um poeta visceral, tão exigente consigo mesmo, que ao invés de ampliar uma obra sua, ele a vai reduzindo até deixá-la menor do que quando da sua publicação. Como quem busca desesperadamente reduzir um produto a sua essência.

A poesia não é uma arte para quem dela necessita para sobreviver. Ela alimenta a alma, mas não traz retorno financeiro. Pelo menos no Brasil, com exceção dos poetas celebridades.Acima citados.

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