As
últimas pesquisas deram ânimo aos tucanos e,em especial, sinalizam que
2014 terá segundo turno. Os levantamentos são tradicionais, feitos pela
Confederação Nacional dos Transportes e pela Confederação Nacional da
Indústria. Aécio Neves já aparece em segundo lugar e Dilma Rousseff está
mais perto de 40% do que de 50% quando as respostas são de eleitores
que conhecem todos os candidatos. Outro dado é que mais de 70% não
decidiu em quem votar, o que deixa a eleição completamente aberta. A
popularidade de Dilma vem caindo de forma vertiginosa e a tendência
segue forte, tendo em vista que a população começa a sentir os efeitos
da inflação que o PT trouxe de volta.
Um dia depois destes excelentes resultados, José Serra pega o telefone e liga para Dora Kramer para jogar contra
o patrimônio da oposição. Para desdizer o que disse na convenção tucana
e para informar que não está fora do jogo, mesmo que isso dê munição
para o inimigo. Volta a ameaçar, nas entrelinhas, sair do PSDB e
ir para o Partidão do Coronel Roberto Freire para concorrer à
presidência. Cita pesquisas informais que, segundo ele, mostram que tem
excelentes chances em 2014. Ora, José Serra bateu no teto faz muito
tempo. Suas intenções de voto são as mesmas do começo ao fim de uma
campanha, basta olhar os números de 2010 na presidencial e a de 2012 em
São Paulo. Não tem a mínima chance de vencer o PT, pelo seu desgaste e
derrotas recentes. Leiam abaixo a coluna de Dora Kramer.
Candidato
à Presidência derrotado por Lula em 2002 e por Dilma em 2010, o (ainda)
tucano José Serra tem seu destino político como uma questão em aberto:
tanto pode ser candidato outra vez como pode se posicionar em 2014 como
cabo eleitoral qualificado do campo oposicionista.
Na primeira hipótese teria de sair
do PSDB, inteiramente fechado com a candidatura do senador Aécio Neves.
Na segunda, pode ficar se tiver espaço para atuar ou optar por outro
partido (provavelmente o MD de Roberto Freire) que lhe dê melhores
condições de usar seu capital político para ajudar na tentativa de tirar
o PT do poder.
Serra
escolherá o papel mais eficaz ao combate do adversário principal. No
discurso que fez na convenção que elegeu Aécio presidente do PSDB, em
maio, ele havia dado esse recado de maneira implícita. Avisou que em
suas decisões sempre põe a razão à frente da paixão. Anunciou também que
em 2014 continuaria a atuar "em favor da unidade das oposições e de
quantos entendam que é chegada a hora de dar um basta à incompetência
orgulhosa" dos petistas.
Na
ocasião a referência à racionalidade foi vista como uma sinalização de
que não se deixaria levar pelo passivo de mágoas internas herdadas de
campanhas anteriores em que não contou com lealdade do partido de modo
absoluto.A afirmação sobre a disposição de atuar "em favor da unidade
das oposições" equivaleria, segundo vários autores, a dizer que estaria
ao lado de Aécio.
Como
naquele mesmo discurso José Serra disse que não tem porta-vozes nem
intérpretes e sobre seus pensamentos só há uma fonte confiável, "eu
mesmo", vamos a ele. A respeito da razão sobreposta à paixão, diz que a
decisão mais racional pode ser ficar no PSDB ou decidir sair para
postular a Presidência no intuito de "diversificar candidaturas" e levar
a eleição para um segundo turno.
No
tocante ao trecho em que se dispõe a lutar "em favor da unidade das
oposições", pondera: "Estar do mesmo lado não significa ficar no mesmo
lugar". Ambíguo, pois não? Pois é. Assim José Serra ficará até o fim de
setembro, quando se esgota o prazo de filiação partidária aos candidatos
no próximo ano. Isso se decidir mudar de partido. Se não for o caso,
estenderá por mais algum tempo sua tomada de posição. Dela depende o rumo da candidatura
Eduardo Campos, o desempenho de Marina Silva, o desenrolar do governo e,
por que não dizer, a convivência dentro do PSDB.
Enquanto
isso, examina atentamente as pesquisas. Oficiais e não oficiais. Em uma
dessas não registradas e feitas por telefone foi incluído seu nome em
várias situações. Dois tipos de resposta o agradaram em especial. Uma
aponta que 55% dos entrevistados consideram que seria um bom presidente.
Outra informa que 58% discordam parcial ou completamente da seguinte
afirmação: "Candidato a presidente derrotado duas vezes, o tempo de José
Serra já passou". Fonte: blog do Coronel
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