Se for preciso designá-lo por seu nome civil, vamos dizer que Chico Maranhão se chama Francisco Fuzzetti de Viveiros Filho. Veio a São Paulo para estudar e também porque desejava conhecer de perto a bossa nova. Para tanto, tinha de descer ao Sul. Matriculou-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, que então ficava no bairro de Higienópolis, por coincidência, na Rua Maranhão. E, naquela região boêmia e estudantil, demarcada pelas ruas Maria Antonia, Vila Nova e Major Sertório, onde estavam os bares, a agitação política, a Faculdade de Filosofia da USP e o Mackenzie, Maranhão foi se enturmando, tocando e compondo.
Entrou para o imaginário do País no mitológico festival de 1967, com um frevo que colocou a plateia para dançar, Gabriela, interpretado pelo conjunto MPB-4. “Foi uma apoteose”, ele lembra. E, de fato, as imagens não mentem, como se pode ver nos extras do documentário Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. O público, que fazia do festival uma espécie de versão musical dos protestos políticos, mergulhava, durante Gabriela, no mais puro carnaval recifense, dançando e abrindo guarda-chuvas no interior do Teatro Record.
Lá pelo início dos anos 60, ele frequentava um boteco
apelidado de Quitanda, que ficava numa garagem da rua Doutor Vila Nova e tinha
como especialidade certa batida de agrião. Entre uma birita e outra, tocava
violão em companhia de um colega da Faculdade de Arquitetura. Os dois se
chamavam Francisco, mas ninguém os conhecia pelo nome de batismo. Nosso
personagem era apenas Maranhão, obviamente porque de lá vinha, e de São Luís, a
capital. O outro era chamado na escola de Carioca, pois havia nascido no Rio,
embora o pai fosse paulista; mas este já começava a ser conhecido em toda parte
como “o” Chico. Os dois Chicos, o Buarque e o Maranhão, eram inseparáveis. São
amicíssimos, até hoje.
Por Luiz Fernando
Zanin Oricchio
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