quarta-feira, 4 de março de 2009

A luta continua, afirma Jackson Lago, após a sua cassação

CARLA LIMA
DA EQUIPE DE O IMPARCIAL

Jackson e lideranças prometem manter luta


Foi mais um dia de concentração e luta em frente ao Palácio dos Leões, entretanto, o resultado não foi o esperado pelos presentes. Lamentações e choros fizeram parte do final do julgamento de cassação do governador Jackson Lago, que se mostrou equilibrado e ainda confiante em manter o mandato.

Desde as 17 horas, populares, deputados estaduais, secretários de Estado e município e também prefeitos de várias cidades do Maranhão, como João Castelo (PSDB), de São Luís, e Raimundo Lisboa (PDT), de Bacabal e presidente da Famem. Os primeiros toques vieram dos grupos de tambor de crioula e danças como cacuriá e afro.

Depois das 19 horas toda a brincadeira abriu espaço para a concentração dos presentes no Acampamento Balaiada na sessão do TSE. Logo no início da leitura do processo ficou claro como seria o comportamento durante o restante da sessão de julgamento: argumentos a favor de Jackson, aplausos. Quando os argumentos eram contrários, vaias.

Assim percorreu todo o julgamento. A tensão aumentou com a volta dos ministros do intervalo. Nem mesmo a chuva tirou a concentração dos balaios. Cada voto dos ministros era recebido com muita preocupação até mesmo devido aos termos técnicos muitas vezes usados pelos membros do tribunal.
Entendimento claro e alegria foram percebidos no momento dos votos dos ministros Marcelo Ribeiro e Arnaldo Versiane, que foram contrários ao pedido de cassação. "Todos deveriam pensar assim. Respeitem nosso voto", gritou um popular.

Entretanto, nem todos os presentes estavam o mesmo espírito. Depois do voto do presidente do TSE, Carlos Aires, muitos queriam deixar o local, principalmente as pessoas que vieram de caravanas dos municípios de Alcântara, Dom Pedro, Tutóia, Coroatá e Presidente Dutra.

Com o resultado a favor da cassação, as lágrimas vieram aos olhos de muitas pessoas. Audinéia Pereira, uma dona-de-casa do Codozinho, afirmou está se sentindo derrotada. "Ninguém me pagou para eu votar no Jackson Lago. Votei porque eu quis, porque era melhor para o Maranhão. Agora eles (os ministros do TSE) resolvem dizer que todo mundo foi comprado e por isso que Jackson ganhou? Eu não ganhei nem um centavo e meu voto deveria ser respeitado", reclamou chorando a dona de casa.

Ao contrário de Audinéia, João Antônio de Oliveira, de Paço do Lumiar, acredita que o resultado pode ser mudado. "É só a população não desistir. Temos que continuar a luta e mostrar que o povo do Maranhão sabe o que quer", afirmou.

Triste no início e com algumas lágrimas nos olhos, o governador Jackson Lago se mostrou forte e disse que está pronto para continuar lutando e que todos contem com a responsabilidade e disposição dele para defender os interesses da população. "Acabamos de ver como é difícil enfrentar as elites do nosso Estado e também do Brasil. Mas não vamos desistir da luta. Quero dizer a todos que estão nessa luta, que podem contar comigo", garantiu Jackson Lago.

O governador informou ainda que os seus advogados irão entrar com recurso no TSE. "Nós vimos que há dúvidas na decisão assim como vimos que eles (os ministros do TSE) não seguiram caminhos comuns e por isso os nossos advogados entrarão com as medidas cabíveis. Vamos aguardar o resultado de nossas ações judiciais. Garanto que vou defender o voto de cada homem e cada mulher de nosso Estado", afirmou Lago.

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