A reeleição para parlamentares é mais danosa para o país do que para o executivo. Eu explico: acontece que o parlamentar pode disputar indefinidamente uma vaga no legislativo, o que acaba favorecendo a corrupção e a troca de favores: com o executivo querendo que todos os projetos do seu interesse sejam aprovados, enquanto que os vereadores, deputados e senadores em troca do voto favorável ao governo, exigem a liberação de verbas de emendas ao orçamento ou outro tipo de vantagem. Com essa possibilidade de eleições sucessivas, o parlamentar para se manter na câmara, na assembléia e no senado, acaba apelando para todo tipo de negócio, seja ele, com o poder executivo, com empresas, e até, pasmem, com o crime organizado! É isso mesmo, com o crime organizado! Por que essa surpresa, se todo mundo, de um modo ou de outro já tomou conhecimento do envolvimento de políticos com o crime organizado? Agora mesmo, no Rio de Janeiro, tem deputado estadual que está sendo processado.
O Brasil, sempre teve essa cultura de que cargo eletivo, seja na câmara municipal, na assembléia legislativa, na câmara federal e no senado, é uma profissão; um emprego como outro qualquer. Isso quase que obriga o político com mandato a se corromper - uma vez que o político passa a ser um profissional da política.
O político brasileiro de tão mal acostumado com as benesses do poder, acaba perdendo o contato com o seu passado e sendo superado na sua profissão original. Observe que eu disse na sua profissão original - porque na realidade, fazer política com mandato acabou sendo uma profissão, mesmo!
Em tempo: a militância sindical também acabou se transformando numa verdadeira profissão
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