Não sei quem inventou essa história de que a imprensa é o quarto poder. Nada mais mentiroso. Se a imprensa fosse um poder de fato, jornalistas não estariam sendo mortos no México, como se mata jovens indefesos nas periferias da capital paulista, nos morros do Rio de Janeiro e o jornal O Estado de São Paulo (Estadão) não estaria convivendo com uma censura judicial por mais de 400 dias.
No Brasil, vira e mexe, o presidente Lula ameaça a liberdade de imprensa, com fez recentemente Sua Excelência o presidente da república, num comício onde ele disse o seguinte: "Essa gente não me tolera. Mesmo lendo pesquisas de opinião pública, mesmo vendo que tem apenas 4% que acham o governo ruim e péssimo" Essa gente a que se referiu o presidente, é a imprensa.e empolgado com os aplausos da companheirada, foi mais adiante com as suas bravatas: "Existe uma revista que não lembro o nome dela. Ela destila ódio e mentira. E eu queria pedir para você Dilma e para você Aloizio: não percam o bom humor, eu já ganhei, eu não disputo voto. Outra vez nós vamos derrotar nossos adversários tucanos, vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político."
Um presidente de um país civilizado, mesmo que supostamente existisse uma campanha orquestrada contra a sua candidata, ele não seria tão imprudente, ao ponto de dizer que vai derrotar jornais e revistas. Como se derrota um veículo de comunicação, senhor presidente? Certamente, como o faz o seu dileto amigo e companheiro, o ditador venezuelano Hugo Chávez, que move uma perseguição sem trégua e sistemática contra a imprensa que faz oposição ao seu governo.
A imprensa em países subdesenvolvidos como o nosso, é tão frágil, que qualquer presidente mata um jornal impresso, uma televisão, uma rádio ou um portal de notícias, bastando apenas ao governo cortar todas as verbas publicitárias destinadas ao veículo recalcitrante. Isso vale para os três níveis de governo.
Jornalismo é um ofício que depende de liberdade irrestrita e incondicional – garantida constitucionalmente – e deve gozar de completa autonomia, respeitando os limites éticos e legislativos estabelecidos. No dia 5/8/04 foi assinado, pelo presidente Lula, o projeto de lei que cria os Conselhos Federal e Regionais de Jornalismo, num momento em que o governo atravessava um período de constantes críticas da imprensa. Mas, felizmente essa aberração não foi em frente. Agora, pobre de nós se não existisse a imprensa, mesmo ela não sendo perfeita.
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