A Igreja
celebra nesta quinta-feira, dia 2 de novembro, a Comemoração de Todos os Fiéis
Defuntos, chamada popularmente pelo nome dado civilmente ao feriado: Dia de
Finados. Neste dia, nas Igrejas e nos cemitérios, “manifestamos o amor e a
gratidão pelos falecidos e, de modo especial, expressamos a fé em Cristo
Ressuscitado, a fé na ressurreição dos mortos e na vida eterna”, conta o
arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil, cardeal Sergio da Rocha.
A
Comemoração dos Fiéis Defuntos é ocasião para dedicar orações pelos amigos e
familiares falecidos, um gesto que, para dom Sergio (foto) não se reduz ao sinal de
amor e gratidão: “É acima de tudo, um gesto de fé e esperança”.
Para o
cardeal, o Dia de Finados também é ocasião para refletir “sobre o modo como
estamos caminhando neste mundo rumo à morada eterna que o Senhor preparou para
nós”. “É importante dar passos de conversão sincera rumo à vida eterna”, sublinha.
Tradição
A tradição da Igreja de honrar a memória dos defuntos remete aos primeiros tempos do cristianismo, quando eram oferecidos sufrágios em seu favor. Dom Sergio recorda que o Catecismo ensina este costume e ressalta que de modo especial era oferecido o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, os falecidos possam chegar à visão beatífica de Deus, recordando o exemplo de Judas Macabeu, que “mandou oferecer sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado”, pois “é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados”.
Visitas aos cemitérios
Em todo o
Brasil, os cemitérios se preparam para receber milhares de pessoas que farão
visitas aos seus entes queridos. Celebrações eucarísticas durante todo o dia
estão programadas. Esta prática é sublinhada por dom Sergio lembrando o
parágrafo 2300 do Catecismo: “Os corpos dos defuntos devem ser tratados com
respeito e caridade, na fé e esperança da ressurreição. O enterro dos mortos é
uma obra de misericórdia corporal (Tb 1,16-18) que honra os filhos de Deus,
templos do Espírito Santo”.
Liturgia
Também a tradição dos fiéis influenciou a definição do rito das exéquias, do qual podem ser usadas as leituras para a comemoração votiva dos fiéis defuntos. O bispo de Cornélio Procópio (PR) e membro da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos da CNBB, dom Manoel João Francisco, escreveu em um subsídio que até o século VII as exéquias cristãs caracterizavam por um forte caráter pascal, mas que do século VIII até o XV predominou-se uma visão trágica da morte. “Perdeu-se a certeza da salvação e a Eucaristia, de celebração da passagem com Cristo e por Cristo da morte para a vida, passou a ser sacrifício propiciatório pelos defuntos”, explicou.
Tal
realidade fez com que Paulo V, em 1614, e Paulo VI, em 1969, tentassem
recuperar o caráter pascal da morte cristã, o que foi alcançado no período do
Concílio Vaticano II. “O novo ritual apresenta Cristo como vencedor da morte e
fonte da ressurreição ou associa a morte do cristão ao mistério pascal de
Cristo. A índole pascal da morte cristã aparece também de forma muito explícita
nas leituras bíblicas e salmos propostos pelo novo ritual bem como nos textos
das missas dos funerais”, salienta dom Manoel.
Na
escolha dos textos litúrgicos para a celebração, procura-se harmonizar a
temática da esperança cristã, da ressurreição, a partir do que está no
parágrafo 72 do Elenco das Leituras da Missa, orienta a Comissão Episcopal
Pastoral para a Liturgia da CNBB. O lecionário dominical e festivo propõe três
esquemas de leituras escolhidas entre todas as elencadas para as missas dos
defuntos.
“A
Palavra de Deus vem iluminar e trazer esperança para todos diante da morte. O
Evangelho nos assegura que a vontade do Pai, cumprida plenamente por Jesus, é
que ninguém se perca, mas que alcance a ressurreição”, reflete dom Sergio da
Rocha.

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