terça-feira, 3 de março de 2009

A liberdade segundo Ribinha


Todo dia eu via aquele homem maltrapilho, sempre com os seus apetrechos nas costas, a caminhar pela Rua de Santaninha, para cima e para baixo. Movido pela curiosidade natural, procurei saber sobre a vida daquele homem.

Não foi difícil descobrir o seu nome, de batismo ou o seu apelido e também parte da sua história de vida. Ribinha, esse era o seu nome, que podia tanto ser de “guerra” como ser o seu nome próprio, só que escrito de maneira reduzida.

Nascido em uma família de classe média alta, o que descobri logo no nosso primeiro contato, tendo estudado no Colégio Marista (colégio de classe média alta de São Luis do Maranhão), formado em direito; estudou música na Escola de Música Lilá Lisboa e cursou francês na Aliança Francesa.

Como todo maranhense que teve alguma oportunidade de estudar, Ribinha, era um intelectual, pois quando cismava, lia no idioma original e recitava as poesias de Charles Baudelaire.

Após várias tentativas sem sucesso de se estabelecer como um profissional do direito, muito em função da sua opção sexual, resolveu mudar de vida, ou seja, viver livremente.

Nas suas andanças durante o dia, Ribinha fazia o tipo Maluco Beleza, abraçava arvores, falava com os pássaros e convivia com os homens sem confronto e vivia sempre a sorrir – como quem vive sempre de bem com ávida. A vida que ele escolheu.

À noite Ribinha retornava a sua residência, tomava banho, fazia à barba, se perfumava (com perfume francês, naturalmente) e caia na noite que devora homens e pássaros. No dia seguinte, lá estava Ribinha a caminhar de um lado para o outro na Rua de Santaninha.

Pássaro livre voa e muda a sua penugem.(Zeca Arouche)

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