

O Brasil é o celeiro de craques de futebol e vai continuar sendo, porque o brasileiro pobre, não tem escolha: ou joga bola ou mergulha na marginalidade. Não é à toa que é da periferia que saem a maioria dos nossos jogadores e também, é lá onde o narcotráfico recruta os seus 'soldados' para uma guerra inglória. Não por opção dos jovens que lá residem, mas forçados que são pelas circunstâncias. Por isso é que as nossas elites não deveriam se escandalizar ao se depararem na televisão com imagens de jogadores de futebol sendo escoltados por soldados do tráfico, que por mais que eles neguem, é uma realidade, haja vista, os laços de amizades que existem entre pessoas de uma mesma origem. Só que uns tiveram o dom de jogar futebol e outros, como não tem esse mesmo dom, para sobreviver, aceitaram o convite para ingressar no exército da contravenção.
O futebolista francês Thierry Henry disse certa vez, para justificar a inferioridade do seu país diante do Brasil em se tratando de futebol, que a vantagem dos jogadores brasileiros (se é que existe vantagem nisso) é que os meninos pobres no Brasil não têm outra coisa a fazer na vida senão jogar bola, na rua, nas praias ou nos campos -, enquanto que os europeus passam o dia na escola. Esse pensamento de Thierry Henry soa para os brasileiros de pouca ou nenhuma escolaridade, como uma ofensa, mas visto por pessoas com um nível de escolaridade razoável, elas percebem nessas palavras uma crítica que poderia ajudar os nossos governantes a mudar o foco das suas prioridades.
No Brasil as coisas para os pobres continuam acontecendo com obra do acaso, ou seja, sem um planejamento, sem que as nossas autoridades pensem no desenvolvimento integral das pessoas, ao proporcionarem oportunidades iguais para todos. Com os pobres condenados a viverem geração após geração, nas mesmas condições de indigências e de extrema pobreza. O que a sociologia caracteriza como determinismo histórico, uma realidade, da qual uma sociedade ou grupo pessoas não pode fugir, sem que haja vontade dos governantes em modificar a realidade existente.
No Brasil para cada Neymar existem milhares favelados, periféricos e abandonados pelo sistema, vivendo em condições subumanas. Como disse o articulista da revista Veja Roberto Pompeu de Toledo, o argumento do jogador francês Thierry Henry, nos leva à conclusão de que o sucesso do futebol brasileiro se deve ao fracasso do sistema escolar do país.
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