CRÔNICA DE NOMEAÇÃO DA DEFENSORIA LÍRICA DA CIDADE
por graça e gosto de el-rei
e espada de bom capitão
por instrução do prior-frei
segredos do coração
e por tudo que oro e sei
moinhos de ventos e brasão
consagro em pública praça
do herói a rebelião
e nomeio fiel protetor
das pedras do nosso chão
a luís Augusto cassas
defensor perpétuo e lírico
de São luís do Maranhão
em nome do sol e mar
dou a ele força e poder
de lapidar e guardar
a vida que há de florescer
expeça-se alvará
salvas de mudo canhão
província de muito amar
firmo: “cais da sagração”
MAR DEPRIMIDO
mar de São Luis, constrangido,
que banhas as costas do Atlântico
e as costas e seios das pacíficas,
quem te roubou o azul do paraíso:
os vendedores de cloro das piscinas
ou o céu desbotado do olhar das meninas?
mar de São Luis, humilhado,
saqueado por metralhas e conquistadores
em navios que vazam óleo desde o início,
quem roubou o azul do teu sorriso:
os poetas que te deixaram abandonado
ou os petroleiros que te sujaram o vestido?
mar de São Luís, sucateado,
sobra de outros mares, poluído.
o cinzento de tuas águas
é tua bandeira de mágoas?
é o teu vestido e anágua?
choras por Antonio: o de Cleópatra?
choras por outro: o de Ana Amélia.
mar de São Luís, enrubescido,
derramas lágrimas de crocodilo,
deságuas sujas águas em praias e portos.
enches os tonéis, os lenços, os esgotos.
mar de São Luis, emaranhado
em maranhas de mar amargurados,
quem seqüestrou o teu azul-coral
deixou-te em troca o excesso de sal.
entanto, o verde que antevejo nessa manhã,
só o vislumbro detrás de óculos rayban.
a não ser que eu ponha cloro,
nas lágrimas que, em ti, choro.
Os Arautos do Dia
edital de tombamento
(escrito em papel embrulho)
Ficam declarados tombados
pra todos os efeitos e dados
os herói anônimos e martirizados:
os paralelepípedos sob o asfalto
& a cobertura de cobalto
o sorvete de ameixa do hotel central
& as sessões coloridas no cine-rival
as sabiás de cócoras
& os bem-te-vis de galochas
a coroa de rei dos homens
& a galinhagem de ana jansen
a caldeirada do germano
& os endereços dos pés-de-pano
os vendedores de pirulito
& os jogadores de palito
os anjinhos despirocados
& os poetas emprenhados pelos ouvidos
os quebra-queixos à mingua
& o teu beijo de língua
o doce de bacuri com cravinho
& o pôr-do-sol do portinho
as meninas da rua 28
& as virgens mortas sem coito
(a esses 20 tiros de canhão
e 30 missas em intenção)
e mais ainda: a saudade etérea
do amor de g. dias & ana amélia
O pintor de cartazes do cine-éden
faça repintar e imprimir e correr
a nova aurora que vai nascer
Luís Augusto Cassas - Nasceu e mora em São Luis do Maranhão desde 2 de março de 1953. Publicou muitos livros de poesia, sempre bem recebidos pela crítica. É autor de diversos livros, entre eles, Deus Mix: salmos energéticos c/ guaraná & cassis -2001; Bhagavad-Brita (a canção do beco) - 1999; Ópera Barroca: (guia erótico-poético & serpentário-lírico da cidade de São Luís do Maranhão) – 1998, e Em nome do filho (advento de aquário) - 2003. Este último, narrando o apocalipse da infância de sua cidade natal e completando o seu rol poético, ou seja, o seu décimo segundo livro.
Sobre o livro, “O vampiro da Praia Grande”, assim se manifesta o dramaturgo Luiz Horácio Rodrigues: “ O Vampiro da Praia Grande , a mais recente e lúcida loucura do poeta Luis Augusto Cassas, permite ao leitor o risco de vasculhar a mente do seu criador, estará então o leitor apto a fazer a síntese tão própria deste poeta impróprio para acomodados.
siga no Twitter o blog Dom Severino ( severino-neto.blogspot.com) @domseverino
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