Especialista fala sobre
características do autismo e formas de tratamento dos autistas.
Maurício Araya/Imirante
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| Foto: Reprodução/Internet |
Nesta semana, foi comemorado o "Dia Mundial de
Conscientização do Autismo". O autismo é um transtorno global do
desenvolvimento encontrado em 20 de cada 10 mil nascidos, que se manifesta,
geralmente, antes dos três anos de idade por causas, ainda, não muito
conhecidas pela ciência. Estima-se que, no Brasil, 0,3% da população de uma
cidade tenha algum tipo de transtorno do espectro do autismo, ou seja, pelo
menos, 570 mil pessoas em todo o país, segundo institutos especializados no
atendimento aos autistas. O Brasil, no entanto, não possui dados oficiais sobre
a taxa de incidência do autismo na população.
O autismo possui três
características fundamentais: inabilidade para interação social; dificuldade no
domínio da linguagem para comunicação; e padrão de comportamento restritivo e
repetitivo. O diagnóstico é, essencialmente, clínico. De acordo com a médica
neurologista infantil Patrícia Carvalho, pediatras e pais de crianças com até
três anos devem ficar atentos a alguns sinais que podem servir de alerta.
"O transtorno do espectro autista (TEA) é um transtorno do
desenvolvimento infantil e que o item principal é o comportamento da criança,
impedindo que ela se desenvolva corretamente. A primeira coisa a identificar é
quem é essa criança com transtorno do espectro autista, se ela é um autista clássico
ou se ela simplesmente possui nuances do transtorno, porque existem várias
síndromes que podem levar ao transtorno do espectro autista", disse em
entrevista ao Imirante nesta quarta-feira (3).
Comportamentos repetitivos e
manias por organização podem ser sinais do autismo. É preciso estar atento,
também, aos sinais precoces do autismo. "Não é fácil detectar uma criança
clássica até os três anos de idade. Alguns pontos podem ser observados nos
bebês. São crianças que, nos três a quatro meses de idade, gostam mais de ficar
no berço que no colo da mãe, já que todo bebê gosta mais do colo da mãe. É o
bebê que, por volta de seis a sete meses de idade, você chama pelo nome dele e
ele não se vira. É o bebê que, por volta dos nove meses, tem o distúrbio do sono,
aquele sono irritado e cansado. E é o bebê que, por volta de um ano de idade,
na transição de alimentos líquidos e pastosos para uma comidinha mais
consistente, ela tem uma aversão ou preferência por um só tipo de alimento.
Então, são sinais muito precoces para os pais e pediatras ficarem alertas de
que há algo de errado no desenvolvimento dessa criança", explica a
especialista.
Tratamento
O autismo possui tratamento.
Entretanto, não há um tratamento padrão. Cada paciente exige acompanhamento
individual, conforme as necessidades e deficiências. "Uma vez reconhecidos
os sintomas que essa criança tenha, é, então, estabelecido um programa de
tratamento multidisciplinar para ela. A criança terá de fazer acompanhamento
com a neurologia infantil, psiquiatria infantil, terapia ocupacional,
fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia", afirma a médica. O padrão de
comportamento na fase adulta será definido pelo tratamento adequado para cada
criança.
A especialista alerta, ainda,
sobre a importância da inclusão das crianças autistas nas escolas. "Nós
precisamos preparar nossas escolas para poder receber nossas crianças com
transtorno do espectro autista. A adaptação na inclusão fala-se em muitas
patologias dentro da neurologia infantil e psiquiatria. Toda criança com
transtorno do espectro autista tem direito de ir para a escola, tem direito de
se socializar. Então, isso é algo que tem que ser divulgado e colocado em
prática", finaliza.
Em São Luís, um grupo formado por pais e mães de crianças
autistas auxiliam famílias de crianças que receberam o diagnóstico de autismo.
Trata-se do grupo Ilha Azul, que pode ser contatado pelo e-mail grupoilhaazul@hotmail.com e pelos
telefones (98) 8803-7163 e (98)
8111-1117.

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