quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A poesia segundo Nauro Machado



Roda-gigante

Humana faina
cumprida em plaina
de solidão
para o sozinho
que em mim caminho
rodando em vão,
 
semana e mês
e sem mercês,
roda a palavra,

 
para esse assédio a
 quem só mede
o ser que lavra

 
sua desumana
mais que humana
vida nenhuma,

 
feita de alguém
como ninguém
que é feito de urna
 
perpétua chama
que em mim derrama
a solidão,

para o sozinho
onde caminho
rodando em vão.

Nauro Machado foi um poeta e escritor maranhense.

Ferreira Gullar sobre Nauro Machado:

“É difícil qualificar esses poemas escritos, por assim dizer, no avesso da linguagem. Não é pela compreensão lógica que eles nos atingem mas pelo sortilégio de um falar desconcertante e único.” FERREIRA GULLAR  
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