quarta-feira, 12 de maio de 2010

A importância de termos referências

Nos morros do estado do Rio de Janeiro, o herói é Fernandinho Beira Mar, que distribui leite e banca os enterros dos seus moradores. O poeta Cazuza já dizia que os nossos heróis morreram todos de overdose

O racismo explícito dos EUA, ao contrário do que se pensa aqui, onde se diz existir democracia racial, ajudou aos negros e a sociedade norte-americana, como um todo a se desenvolver, com os negros atingindo tal nível de desenvolvimento, que alguns setores da economia são totalmente dominados pelos negros, como por exemplo, o do entretenimento. Lá negro é negro e branco é branco. Lá o negro se reconhece como tal, ao contrário do Brasil, onde o jogador Ronaldo, por ter a pele um pouco clara se inclui no rol dos brancos. Assim também como o presidente da república Luís Inácio Lula da Silva. Ambos negros, segundo a nossa classificação.

Mas o assunto que eu quero abordar aqui neste texto, é a importância de termos referência como o próprio titulo desta matéria faz alusão. Nos Estados Unidos da América, os negros têm grandes referências, como por exemplo, o líder negro Martin Luther King (no campo dos direitos civis), Rosa Parks (líder da luta antissegregacionista), Nina Simone (uma excelente cantora que abraçou a luta contra o racismo), Cassius Marcellus Clay (o maior pugilista de todos os tempos, que mais tarde viria a adotar o nome de origem muçulmano, Muhammad Ali), e assim por diante. Os brancos também têm as suas referências, como o ex-presidente John Kennedy, Henry Ford (fundador da Ford Motor Company e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir automóveis em massa em menos tempo), o ex-presidente Franklin Rooselvet, o cantor Frank Sinatra, e muitos outros mitos do povo estado-unidense, dos quais esse povo sente orgulho e neles procuram se espelhar.

Todas essas personalidades norte-americanas, negras ou brancas, são exaltadas, reverenciadas, imitadas e tidas, como um verdadeiro patrimônio nacional. Elas vêm ajudando ao longo dos tempos a formar a personalidade dos norte-americanos, que vêem nos seus heróis, nos seus ídolos, exemplos de vida a serem copiados, seguidos e imitados.

E quem são as nossas referências? No campo da pelota, da bola, o futebolista Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que não serve de exemplo para ninguém, porque até uma filha fora do casamento ele negou ou renegou. Na política, que poderia ser citado como referência? Eu olho, procuro na história e não vejo. Porque nenhum dos nossos ditos heróis nacionais, resistem a uma rigorosa investigação da historiografia brasileira. No Passado nós já tivemos heróis, como o brigadeiro Rui Moreira Lima, motivo de uma matéria aqui neste mesmo blog, que a história oficial, infelizmente não reconhece com um herói nacional.

Os heróis brasileiros são os jogadores de futebol, todos fruto do acaso e do improviso, que na sua expressiva maioria nunca passaram pelos bancos dos colégios, não por culpa deles, é claro, mas por culpa do estado brasileiro que nunca priorizou uma educação que privilegiasse a todos, indistintamente.

Querem um exemplo de um herói brasileiro? O cantor Frank Aguiar, que o estado do Piauí, acaba de financiar a sua "brilhante história" de vida, quando deveria ser o médico José Orlando de Ribeiro Gonçalves. O herói dos maranhenses atende pelo singelo nome de José de Ribamar de Araújo Costa, conhecido popularmente como José Sarney, quando deveria ser médica comunista Maria Aragão.

siga no Twitter o blog Dom Severino ( severino-neto.blogspot.com) @domseverino

Nenhum comentário: