O Brasil segundo pesquisa realizada pela Transparência Internacional é o 75º país colocado no ranking mundial da corrupção. Uma posição nada abonadora para um país onde os atuais governantes vivem querendo incluí-lo entre os países mais desenvolvidos.
A corrupção no Brasil tem característica de uma endemia, porque habitualmente presente entre os membros da sua população e mantém uma incidência constante. No setor público, com a participação do setor privado, porque a corrupção não existe isoladamente, ou seja, ela se realiza na interação do público com o privado. Com o setor público funcionando como torneira e duto por onde corre o dinheiro público desviado da atividade social para a atividade marginal.
Por isso que no Brasil todo político e gestor público é tido como corrupto, porque já existe uma cultura cristalizada, de que o dinheiro público não tem dono, servindo entre outras coisas para enriquecer os políticos que ocupam cargos administrativos (presidente, governador, prefeito, ministros, secretários e diretores de empresas estatais) e políticos integrantes do Poder Legislativo. Esses úlitmos são os que fazem a intermediação entre o setor público e o privado. São os políticos pontes.
E como funciona esse duto por onde corre o dinheiro público? A fonte de onde corre o "rio de dinheiro" é representada pelo governo, que para que os seus projetos sejam aprovados, tem que ceder sempre às chantagens dos parlamentares que votam com o governo, mas desde que ele atenda aos seus inúmeros pedidos - que vão desde a liberação de emendas, verbas, passando pela autorização da execução de obras.
O Poder Legislativo funciona como um intermediário entre o governo e o empresário, e cobra pelo serviço realizado entre 10%, 20% e 30% do valor que ele conseguiu liberar. Quem autoriza também recebe a sua parte, na forma de uma comissão que é paga em dinheiro vivo ou através de depósito bancário em nome de um parente e até de um amigo, para que no caso de uma investigação, a sua digital não seja identificada.
Isso explica a riqueza dos políticos brasileiros, que em regiões pobres, sem serem empresários ou industriais bem sucedidos, conseguem ostentar uma riqueza que os seus donos não conseguem explicar a sua natureza e a velocidade como ela foi conseguida. Enquanto um empresário leva 50 anos para construir uma riqueza, um político com apenas um mandato, seja ele federal estadual ou municipal, leva apenas um mandato. Isso não é regra geral, porque como se diz, toda regra comporta exceção.
Quem anda pelos estados da região sul e sudeste, ao conhecer os bairros nobres, ao se deparar com uma mansão, pergunta a quem esse imóvel, e a resposta é quase sempre a mesma: essa mansão pertence ao industrial fulano de tal. Nos estados da região Nordeste, no estado do Maranhão, por exemplo, ao nos depararmos com uma mansão na Ponta do Farol, no Calhau ou Caolho, descobrimos que a mansão pertence a um político.
Em TemPo:
No estado do Maranhão, os jovens oriundos do interior, estudam medicina não é para trabalharem pela população desassistida, mas para fazerem política. A política é mais importante como profissão do que a medicina, porque a política representa riqueza e poder.
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