terça-feira, 20 de julho de 2010

Uma renovação sem qualidade e sem compromisso

"É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão"
(Tancredi Falconeri, em O Leopardo Il Gattopardo)

A política brasileira sofre pouca renovação, e que quando acontece, a renovação não se dá do ponto de vista qualitativo. O que acaba não representando uma mudança significativa, mas apenas uma troca de um político  por outro, que se volta a cena política após alguns anos de afastamento forçado pelas circunstâncias, não é para defender os interesses do estado que se porpõe representar, mas para continuar defendendo os seus próprios interesses ou de grupos que representa. O que poderá vir a ocorrer com o ex-senador e ex-deputado federal Hugo Napoleão, que tenta se reeleger mais uma vez pelo estado do Piauí, mesmo não residindo neste estado, já que mora em Brasília.
Com o provável retorno de Hugo Napoleão a política piauiense com um novo mandato, este estado não se sentirá  representado, porque esse ex-governador até aqui só passou temporadas no Piauí. Os seus filhos não nasceram aqui e a sua atual esposa não tem nenhuma vivência no estado.  

Um político como Hugo Napoleão, com a sua idade, deveria permanecer na sua reclusão lá em Brasília e viver das suas recordações, dando lugar a um político mais jovem, que pelo menos pudesse representar uma esperança para um estado que tem a menos expressiva representação no Congresso Nacional, em termos de luta em defesa dos interesses do povo piauiense.

O político piauiense, via de regra, embora jovem na idade, mas na sua maneira de pensar e fazer política é o mesmo de 30 anos atrás que por falta de bagagem intelectual ou por complexo de inferioridade não consegue se destacar com uma grande liderança nacional. Com exceção do ex-ministro da Justiça Petrônio Portella, que por méritos próprios chegou a se destacar durante o regime ditatorial. Chegando a ser cogitado para assumir a presidência da república. De lá para cá, nenhum  outro político piauiense conseguiu se destacar a nível nacional, repito, por méritos próprios. Depois dele os que conseguiram ocupar alguns cargos no primeiro escalão do governo federal foi mais por força de um acordo político, do que pelo papel importante que o escolhido representava naquele momento para o país.

Mas confiante nos métodos que sempre ajudaram a eleger o ex-deputado federal Mussa Demes, um político piauiense que durante todo tempo que durou os seus seis mandatos nunca morou no seu estado de origem, é que Hugo Napoleão acredita na possibilidade de vir a conseguir mais um mandato, mesmo residindo em Brasília.

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