Rogério Newton*
Ao sair
hoje, cedinho, para caminhar, fui tomado de assalto. Não, leitor, ninguém me
apontou uma arma, levou minha carteira e saiu de fininho ou correndo. Nada
disso. Mas pode ser que tenha ocorrido um delito, ou vários. Não quero sair com
o dedo em riste. Deixo ao leitor essa tarefa, se ele quiser. O que vou fazer é
apenas descrever meu susto, rente ao muro, na Avenida Homero, deserta, ao
perceber que um pé de angico branco do IBAMA, não estava mais ali.
Como é
que pode? Ainda ontem foi um ser vivo. Alto, forte, bonito, os galhos se
espalhando. Agora não há mais nada, a não ser o vazio e pedaços do tronco, que jazem
do outro lado do muro, à espera do caminhão que os levará para o aterro ou o
lixo. Vi-os pelas brechas do portão, deitados sobre a terra. Foi o que pude
fazer, na manhã clandestina, nova e desamparada.
Há
poucos metros dali, no mesmo terreno, do lado da Rua Cel. Costa Araújo, outra
árvore cortada. O que sobrou do tronco, desnudo, apontava para cima, as raízes
ainda fincadas no chão, galhos e folhas na calçada, onde outras árvores foram
podadas. Por enquanto, um aviso de que as próximas serão elas. Perguntei a mim
mesmo: foram cortadas porque ameaçavam o muro? O IBAMA vai construir e precisa de
mais espaço? Para desenvolver seus elevados misteres, não pode competir com
árvores altas?
Não sei
se o diretor gosta de árvores. Não o conheço. Não sei seu nome. Não sei se vai
plantar outras. Não sei quando vai mandar derrubar as que restam dentro do
terreno sob sua jurisdição. A única coisa que sei é que fiquei triste.
*Rogério Newton - é um poeta, escritor e defensor público estadual piauiense.
*Rogério Newton - é um poeta, escritor e defensor público estadual piauiense.

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