O treinamento de membros das forças
de segurança paraguaias é um dos principais elementos da política dos Estados
Unidos para o país. Durante os anos do governo Lugo, deposto num
impeachment-relâmpago em junho de 2012, a agência de assistência do Departamento
de Estado, a USAID – investiu US$ 9 milhões em treinamento policial só nos anos
de 2009 e 2010.
Em setembro do mesmo ano, os EUA financiaram a viagem de
outros futuros membros do sistema de Defesa de Franco à base militar de Fort
McNair, em Washington, para um treinamento sobre “Carreiras civis para Defesa”.
Um deles era o vicealmirante Pablo Ricardo Luis Osorio Fleitas, nomeado
comandante da Armada cinco dias depois da posse de Franco, em substituição ao
Almirante Benitez Frommer. Frommer foi compulsoriamente passado para a reserva
por ter desmentido a versão de que o vice-presidente venezuelano, Nicolás
Maduro, teria tentado insuflar um golpe militar em defesa de Lugo (saiba
mais aqui).
Mas além da USAID, milhões de dólares vindos de outras
fontes foram aplicados no Paraguai.
Por exemplo, o Global Peace Operations Initiative,
programa do Departamento de Estado, em 2009 destinou US$ 4 milhões aos
paraguaios que fazem parte das forças de paz no Haiti; o treinamento do
Batalhão Conjunto de Forças Especiais do Exército recebeu US$ 5,7 milhões em
assistência militar; e o programa anti-narcóticos do Departamento de Estado
(INL) alocou US$ 753 mil no país em 2009 e 2010, segundo relatório da embaixada
em Assunção.
Entre 2005 e 2010, foram quase mil militares e policiais
paraguaios treinados pelos EUA. Os cursos abordavam de direitos da propriedade
intelectual a treinamento de contra-insurgência e combate ao terrorismo, entre
outros temas, e se realizaram em diversos locais, dentro e fora do Paraguai.
Promotores, juízes, fiscais alfandegários (Aduanas, em espanhol) e diplomatas
também receberam treinamento dos americanos.
Não se tratava apenas de treinar as forças militares, mas
de investir na formação de oficiais que ocupariam cargos de comando. Como os
dois altos oficiais da Armada (Marinha) que seriam retirados por Lugo em 2009,
em meio a rumores de planos para um golpe militar no país.
Outros oficiais treinados se tornariam peças-chave no
governo de Federico Franco. O novo chefe do Estado Maior das Forças Militares,
o general Pedro Aristides Baez Cantero, por exemplo, participou de um curso em
outubro de 2005 no Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa em Washington. O
novo Chefe de Estado Maior da Armada, também foi convidado a viajar aos
EUA para participar de um curso de Gerenciamento de Crises em Washington em
maio de 2009.
Angel Damian Sabino Chamorro Ortiz, que se tornaria
secretário geral do Ministerio da Defesa de Franco, participou não só do
treinamento em Fort McNair, mas também de um curso no Centro de Estudos
Hemisféricos de Defesa em Washington, em 2008, sobre “Coordenação
Inter-Agências para o Combate ao Terrorismo”. Fonte: Portal EBC
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