sábado, 24 de setembro de 2016

A poesia segundo Joachim Arouche



Cada dependência da minha casa é como se fosse um escaninho: o quarto, as salas, a cozinha e o banheiro

Um compartimento onde guardo lembranças, onde toda vez que mexo nas minhas lembranças, o passado se torna presente e sou tomado pelo sofrimento, qualquer que seja a lembrança    

O quarto da minha mãe e do meu pai, o quarto dos meus irmãos, o quarto da nossa secretária, o quarto de hospedes, são as minhas lembranças mais frequentes

Toda vez que retorno ao meu antigo lar, na minha mente explode um turbilhão de boas e más lembranças e sofro

Mas como um masoquista que se presa, não fujo do meu passado, porque ele me permite revisitá-lo e me manter ligado e conectado com o meu passado que torno presente toda vez que acesso os meus escaninhos

Qualquer semelhança entre a minha e a tua lembrança não é mera coincidência: é passado e todo mundo tem o seu.
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