terça-feira, 16 de maio de 2017

A poesia segundo Alda Lara



Rumo
 
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...
Longe, a Terra chama por nós, 
e ninguém resiste à voz 
Da Terra ...
 
Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!
 
Vamos, companheiro ...
É tempo
 
Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas 
e ao prazer dos teus prazeres 
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam 
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras ... 
E o meu suor 
se junte ao teu suor, 
quando rasgarmos os trilhos 
de um mundo melhor!
 
Vamos!
que outro oceano nos inflama.. .
Ouves?
É a Terra que nos chama ...
É tempo, companheiro!
Caminhemos ...

Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque nasceu em Benguela, Angola, no dia 9 de junho de 1930. Viveu em Lisboa desde a adolescência, onde conclui o liceu e frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e de Coimbra (onde licenciou-se). Exerceu influência na renovação da poesia angolana, com seu comprometimento com a luta pela independência.
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