terça-feira, 11 de julho de 2017

A morte não me assusta e nem me mete medo



Eu não tenho medo da morte. O que me aflige e me faz sentir medo é a certeza de que a morte me privará da doce sensação de poder caminhar pelas ruas, de ver gente, de admirar o pôr do sol e caminhar sob uma chuva miúda.

Os medos que sinto, são do transito estrangulado, das ruas e calçadas apinhadas de gente e de veículos automotores. Da superpopulação que com a sua ação esgota todos os recursos naturais, de modo a que o homem sofra com a falta de água, do lixo que provoca o envenenamento dos rios, mares e congestiona às nossas vias respiratórias.

É a barbárie que me causa aflição. São as guerras que me tiram o sono. É o desemprego que me atormenta e me deixa sem ânimo para encarar guerras que sabemos por antecipação que são guerras perdidas.

Tenho medo do “amor” que me torna impotente e me faz rastejar como quem não tem forças para ficar de pé.

Tenho mais medo da cama do que da morte. Ter medo da cama significa ficar imobilizado, sem autonomia e sendo dirigido e conduzido por parentes ou cuidadores. Pensar nessa possibilidade me deixa tomado, possuído por um grande pavor.

Toda vez que eu penso na morte eu tenho a dimensão da tragédia inevitável, mas, por outro lado, abre uma janela na minha consciência que me permite aceitá-la com um destino implacável. 

por Tomazia Arouche
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