sexta-feira, 13 de julho de 2018

A poesia segundo Oswaldino Marques

Dermografismo

Escreve-me na tua pele
Faze de meu verbo carne
Que em teu texto eu me revele
Que em tua hóstia eu me encarne.
Meu nome grafa às avessas
Na polpa de teus seios-nata
Depois ao espelho, depresa,
Me retraduz, me refrata.
Verás que a sigla  O N I D L A W S O
Em  O S W A L D I N O  se dessigla —
Deixa-me crucificado
Em tuas veias — me intriga!

Ou na seda de teu ventre
Abre meu verso maior
Para que, séculos à frente
Te chamem de mulher-poema,
Sim te recitem de cor —
E se, no escuro, eu quiser
As minhas coplas reler,
Basta-me os lábios mover
Por tua demografia
Por ter cor Poesia!

Oswaldino Marques nasceu em São Luís do Maranhão e faleceu em Brasília. Poeta, ensaísta, tradutor, teatrólogo. Viveu e participou de movimentos políticos e literários no Rio de Janeiro até ingressar na Universidade de Brasília. Esteve como professor visitante na Universidade de Michigan, EUA.

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