sábado, 22 de maio de 2010

José Sarney: o todo poderoso

Que o maranhense José Sarney é o maior político brasileiro de todos os tempos, isso é inegável. Se alguém duvida é só perguntar ao senador Mão Santa (PMDB-PI), que quando governador do seu estado, só tratava a governadora do estado do Maranhão, Roseana Sarney, de filha de santo do babalorixá Bita do Barão, e quando se referia ao patriarca, falava coisas inomináveis. Mão Santa é hoje o mais fiel seguidor de Sarney, que já ocupou todos os cargos políticos neste país, inclusive salvou o presidente Lula do impeachment (Lula que se não tivesse caído nos braços de Zé Sarney para ser salvo por ele, no caso mensalão, hoje estaria nivelado ao seu amigo Fernando Collor de Mello). E quando o Brasil inteiro pensava que Sarney estava politicamente morto, ao ser atingido por uma enxurrada de denúncias que recaiam sobre o Senado, presidido por ele, eis que ele renasce das cinzas.

Agora a grande obra, a maior obra de engenharia política engendrada por Sarney, foi ter enquadrado e submetido o Partido dos Trabalhadores (PT), à sua força de atração e influência. Querem um exemplo? Em 2006 quando Roseana Sarney e Jackson Lago disputavam a eleição para governador do estado do Maranhão, já no segundo turno, Sarney obrigou Lula a vir a Timon, um município maranhense que fica localizado ao lado de Teresina, capital do Piauí, para subir no palanque e pedir voto para sua filha, disfarçado, como se estivesse vindo a Teresina, porque em São Luís, Lula não teria a coragem de se submeter ao ridículo de pedir votos para uma candidata que nesse estado, historicamente sempre foi sua adversária.

Agora, o estado do Maranhão assiste abestalhado, o Partido dos Trabalhadores ser entregue numa bandeja, como um partido despersonalizado, sem história, sem memória e a serviço de um grupo político que manda no Maranhão há mais de 40 anos, através do poder econômico e da influência que exerce sobre os outros poderes.

O comando nacional do PT acaba de designar uma brigada para tentar sufocar focos de resistência organizados por verdadeiros petistas nos estados do Maranhão e Piauí, que não aceitam que o seu partido seja transformado numa força auxiliar da família Sarney e de um grupo no Piauí, que até bem pouco tempo era liderado pelos petistas.

A presença do presidente do diretório nacional do PT, José Eduardo Dutra, no Piauí e Maranhão, tem o firme propósito de tentar convencer e intimidar os petistas que resistem bravamente a aceitarem a condição de tarefeiros e a se submeterem à vontade do ex-governador Wellington Dias, que sempre esteve muito mais empenhado em garantir a sua eleição para senador e a da sua esposa, do que em defender os interesses do PT. Alguém poderia me apontar um momento em que Wellington Dias demonstrou um sincero interesse em ver o seu partido continuar à frente do governo estadual? Nunca, o que ele sempre fez foi defender o apoio do seu partido a um nome de consenso, quando todo mundo já sabia que o PT não tinha preparado um nome com capacidade para disputar uma eleição com os nomes já lançados e que há vários anos já estavam em campanha.

Não sei qual será o desfecho dessa disputa, que envolve petistas verdadeiros e entreguistas, mas de uma coisa estou certo: o PT sairá dessa disputa menor do que quando começou, a não ser que o PT de verdade vença essas duas batalhas.

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