
Observando a transmissão dos jogos locais, me bate uma verdadeira aflição, devido à ausência do torcedor nos estádios. Esse fenômeno a cada ano que passa, tende a crescer cada vez mais, motivos não faltam para explicar esse fenômeno, que afeta mais os clubes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, porque são clubes considerados periféricos, quase sem estrutura, sem bons jogadores e sem patrocinadores.
Os clubes das regiões Sul e Sudeste, através de contratos milionários firmados com as principais redes de televisão, ainda conseguem se manter, mesmo pagando salários astronômicos aos seus jogadores, ao mesmo tempo em que tem dívidas também astronômicas com o INSS e a Receita Federal, mas que graças à generosidade do governo federal, que faz vistas grossas para com as dívidas dos grandes clubes, e ainda os favorece com a criação de uma Loto, que com o que arrecada, ajuda os clubes endividados.
Como já disse, são muitos os motivos que podem ser usados para explicar e justificar a ausência dos torcedores dos estádios, mas dentre todos, destaco um que a meu ver é o principal responsável pelo surgimento dos outros, no caso, a transmissão dos jogos de futebol pela TV, que além de retirar os torcedores dos estádios, ainda é de sua responsabilidade - o surgimento de uma cultura que faz com que os clubes das regiões mais pobres percam os seus torcedores para os grandes clubes, como Flamengo, Corinthians, Cruzeiro e o Internacional. Isso só para citar os mais populares.
E nós que fazemos a imprensa das regiões pobres, contribuímos para que essa aberração continue existindo, ao super valorizarmos os jogos transmitidos pela Rede Globo de Televisão e Rede Bandeirantes. Quando acontece um grande jogo transmitido por essas duas redes, quem anda por Teresina, tem a sensação, dependendo do jogo, que nós nos encontramos no RJ, SP, BH ou Porto Alegre. Esse é o nosso lado índios pimenteira, guajajara, tremembé e timbira.
Os apresentadores de televisão do estado do Piauí vibram tanto com os jogos do Flamengo e Vasco da Gama; como se cariocas fossem. E ainda me consideram radical. Eu torço mesmo é pelo Piauí vibrante e o Sambão.
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