quarta-feira, 20 de julho de 2011

A astúcia e a resignação como forma de sobrevivência

 
Com eu havia prometido aos meus seguidores na Internet, no último domingo eu botei o pé na estrada e fui visitar um dos bairros mais periféricos de Teresina, o bairro Cidade Leste, que fica localizado na região Leste, entre montanhas. Ao chegar lá, procurei uma rua aleatoriamente e visitei uma das residências.

Como justificativa para me aproximar dos moradores da casa escolhida, me apresentei como membro da Igreja da Unificação, do mister Moon, uma seita que freqüentei durante anos, quando da minha estada no Rio de Janeiro, o que me ajudou bastante, como justificativa para fazer o contato com a família escolhida para a minha visita. 

Cheguei por volta das 09h00 na residência do senhor JRS e entabulei logo uma conversa sobre religião, um assunto que eu conheço o suficiente para manter um papo por várias horas. Não que eu seja um expert no assunto.

A nossa conversa já durava mais de duas horas sobre um mesmo tema, no caso religião, quando resolvi mudar o foco da nossa discussão para assuntos mais corriqueiros, como o dia a dia da família e o que eles fazem para sobreviver.

Quis saber o que o pai e mãe faziam para manter uma família formada pelo casal e mais cinco filhos. Sendo que o mais velho tem 12 anos e o mais novo, apenas dois anos. Ao que ele me respondeu, sem fazer rodeios, dizendo que vivia de bico, trabalhando um dia assim e outro não.

- Vocês recebem algum tipo de ajuda do governo, tipo Bolsa Família?

- Até três meses atrás a gente recebia R$ 90 reais, mas foi suspenso.

- E quando o senhor não consegue ganhar nenhum dinheiro fazendo bico, como alimentar a família?

- As crianças penetram no mato em busca de frutas e caça, um vizinho em melhores condições nos empresta pó de café, que tomamos com farinha. Quando pinta algum trocado a gente come frango ou ovos.  Aqui a gente se vira para enganar a fome, sempre dando um jeito e vivendo conforme Deus quer.

Nessa casa onde as pessoas vivem numa pobreza extrema, as crianças não estudam e dormem em redes. A casa não tem nem sentina, e as pessoas fazem as suas necessidades fisiológicas no mato.

Aparelho de televisão, eles só conhecem porque na hora das novelas e se deslocam a até as residências e assistem a esse programa do lado de fora.

Agora o que me deixou bastante impressionado nessa minha visita, foi observar o estado de conformação das pessoas, que sofrem, mas não se lamentam, sempre esperando em Deus por dias melhores.

Em TemPo:

Nesse meu contato com essa família, eu  não revelei a minha verdadeira identidade, para não inibir o meu interlocutor.
 

siga no Twitter ao blog Dom Severino ( severino-neto.blogspot.com) @domseverino

Nenhum comentário: