quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

E quando José Sarney pendurar às suas chuteiras?

O senador José Sarney (PMDB-AP), está vivendo os seus últimos dias na presidência do Senado e tudo indica que ao deixar esse importante cargo na hierarquia do poder brasileiro, esse maranhense estará se aposentando da vida pública. E ai, como ficará o estado do Maranhão sem Sarney?

Para muitos maranhenses e brasileiros, o político José Sarney é o demônio travestido de gente. Muitos deles chegam a atribuir a esse maranhense, a responsabilidade por todas às mazelas existentes no estado do Maranhão e o Brasil, como esse senhor octogenário, que já governou o seu estado, o Brasil e que pela quarta vez ocupa a presidência do Senado, fosse uma espécie de ditador brasileiro, alguém capaz de fazer com que tudo permanecesse exatamente igual, só para que o seu poder incomensurável permanecesse intocável.
                                                                                                 
Negar que José Sarney foi e continua sendo um dos políticos mais poderosos e influentes do Brasil, é tentar querer tapar o Sol com peneira, porque ninguém consegue esconder o óbvio, mas dai a querer responsabilizá-lo pelo fracasso do Brasil - é faltar com a verdade, porque Sarney nunca foi um ditador e quando governou o Brasil, teve em Ulisses Guimarães, o dono de um partido muito poderoso, que nunca fez nenhuma questão de negar que tinha a pretensão de funcionar como um primeiro ministro, alguém que tentou de todas as maneiras manietá-lo. O que conseguiu durante certo tempo, uma vez que Sarney ainda não tinha se legitimado perante a nação e que para governar, precisava do apoio do PMDB. Uma legitimação a que Sarney só veio conseguir, depois da metade do seu governo e após ter removido as pedras que foram colocadas no seu caminho, por peemedebistas é os órfãos de Tancredo Neves.  

Só para ilustrar, eu cito um episódio que ocorreu durante o sepultamento de Tancredo Neves em São João de Del Rey, durante os discursos que antecederam ao enterro do então presidente de direito. Um fato que passou despercebido para muitas das pessoas ali presentes, mas observado por mim e por pessoas mais atentas, que foi a indiferença Olímpica, como foi tratado José Sarney pelo ministro da Justiça, escolhido por Tancredo Neves e mantido no seu governo, o pernambucano Fernando Lira.

O Maranhão e o Brasil - devem muito a José Sarney, apesar de ele ter usufruído muito do que o poder pode lhe oferecer em mais de 50 anos de vida pública. Mas não podemos esquecer o seu importante papel de timoneiro, numa difícil travessia, de um governo de exceção para uma democracia plena, onde nos primeiros dias existia o perigo iminente de haver um retrocesso.

As grandes obras que existem no seu estado e as que ainda estão por vir deveu-se ao poder de José Sarney. Cito algumas: o Centro de Lançamento de Alcântara, o Porto do Itaqui, a Ferrovia de Carajás, a Ferrovia Norte-Sul, que começa no Maranhão e provavelmente a instalação da base da Segunda Esquadra Naval. E agora uma pergunta que não quer calar: qual o maranhense que tem poder e prestigio político para levar para o seu estado, o que Sarney conseguiu? Procuro com lupa e não consigo ver, nenhum político com a estatura e o estofo político de José Sarney.

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