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| Músico traz em sua lírica a melancolia como representação do amor em suas canções |
Inspirada em parte da obra do cantor e compositor Paulinho da
Viola, a cantora e filósofa Eliete Eça Negreiros empreendeu um estudo na
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP: Paulinho
da Viola e o elogio do amor. Na tese de doutorado defendida no
final de 2012, ela analisa composições de Paulinho, ou por ele interpretadas,
traçando paralelos com autores e pensadores da filosofia e da literatura,
contemporâneos e antigos, como Epicuro — filósofo da Grécia Antiga —,
Olgária Matos, filósofa e orientadora do estudo, José Miguel Wisnik, docente do
Departamento de Letras da FFLCH, Platão e Walter Benjamin, entre outros. Mesmo
tendo o compositor como tema central do estudo, outros nomes da canção popular
também são lembrados. Entre eles, Nélson Cavaquinho, Cartola e Dorival Caymmi.
“Há um diálogo entre as artes e a Filosofia”, avalia Eliete.
“Assim como o filósofo cria um discurso, o cancionista cria a canção. Sua
expressão artística então é também um modo de pensar o mundo, uma filosofia”,
analisa.
Ao traçar tais paralelos, ela observa então como o amor é
representado nestas canções. Para tanto, fez um “recorte” dividindo o
sentimento em: amor breve; amor melancólico; amor feliz. “Optei por fazer um
ensaio abordando estes recortes e a relação deles nas canções de Paulinho com
nomes consagrados da filosofia”, descreve.
Os amores
Eliete mostra que a concepção de amor nas composições de Paulinho, ou nas canções que ele canta, quando representado como “o amor breve”, filia-se à tradição do pensamento ocidental que desde os gregos reflete sobre a fragilidade da condição humana e a brevidade da vida. Como num trecho da música “Aquela Felicidade”: Aquela felicidade que você conheceu/ Um dia, na minha vida, já terminou….
Eliete mostra que a concepção de amor nas composições de Paulinho, ou nas canções que ele canta, quando representado como “o amor breve”, filia-se à tradição do pensamento ocidental que desde os gregos reflete sobre a fragilidade da condição humana e a brevidade da vida. Como num trecho da música “Aquela Felicidade”: Aquela felicidade que você conheceu/ Um dia, na minha vida, já terminou….
O compositor carioca traz em sua lírica a melancolia. “Ela é um
dos modos da representação do amor em suas canções”, observa a pesquisadora. É
neste espaço que a filósofa descreve o amor melancólico em seu trabalho. E mais
uma vez cita o compositor, na música “Nada de novo”: Nada
de novo capaz de despertar minha alegria. Para Eliete, a
compreensão desse amor melancólico deve levar em conta, a partir das análises
de Freud sobre o luto e a melancolia, a maneira pela qual ele e o amor se
entrelaçam em sua obra e, em particular, a dificuldade do melancólico em
esquecer o passado.
Já em relação à felicidade, ao “amor feliz”, Eliete descreve que
há várias concepções de felicidade na obra de Paulinho. “Desde a noção
epicurista de felicidade enquanto busca do prazer, até a noção estoica de
felicidade enquanto resistência ao sofrimento”.
Ao todo, foram dedicados cerca de quatro anos para a conclusão
do estudo que, ainda este ano, será publicado em livro. Aliás, o mesmo caminho
de sua dissertação de mestrado. Em março de 2011, a cantora lançou em São Paulo
“Ensaiando a canção: Paulinho da Viola e outros escritos”, fruto da pesquisaEnsaiando a Canção: Paulinho da Viola,
apresentada na mesma FFLCH em 2002.
Eliete Negreiros canta profissionalmente há 20 anos, tendo
gravado seu primeiro disco, “Outros Sons”, em 1982. Somente dez anos mais tarde
viria a gravar uma música de Paulinho da Viola, Para ver as Meninas, no disco
“Canção Brasileira – A Nossa Bela Alma”. “Cresci ouvindo Paulinho, Wilson
Batista, Gal Costa, Bethânia e tantos outros. Posso dizer que as canções do
Paulinho da Viola me acompanham por toda vida.” Fonte: Agência USP
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