quinta-feira, 13 de março de 2014

Casa do escritor Aluísio Azevedo pode virar estacionamento

Do mirante da residência, o escritor maranhense escreveu a obra "O Mulato".
Pedro Sobrinho / Imirante.com
Desta maneira, tratamos a História, o Patrimônio Arquitetônico e da Humanidade, em São Luís. A casa em que morou o escritor Aluísio Azevedo, localizada na Rua do Sol, no centro de São Luís, é alvo do descaso.
Aluísio Azevedo foi um crítico impiedoso da sociedade brasileira e de suas instituições. Abandonou as tendências românticas em que se formara, para tornar-se o criador do naturalismo no Brasil, influenciado por Eça de Queirós e Émile Zola. Seus temas prediletos, focados na realidade cotidiana, foram o anticlericalismo, a luta contra o preconceito de cor, o adultério, os vícios e a vida do povo humilde.
Nascido em São Luís, Aluísio viajou para o Rio de Janeiro aos 17 anos a chamado do irmão, o teatrólogo Artur Azevedo. Começou a estudar na Academia Imperial de Belas-Artes e logo passou a colaborar, com caricaturas e poesias, em jornais e revistas.
E foi no mirante da casa que Artur Azevedo escreveu “O Mulato” publicado em 1881, no auge da campanha abolicionista, que provocou um grande escândalo. O autor tentava analisar a posição do mestiço na sociedade maranhense de seu tempo e atacou o preconceito racial. A denúncia foi feita nesta terça-feira (11), na página do facebook, do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, que a residência do escritor Aluísio Azevedo, autor de "O Mulato" e "O Cortiço", está sendo preparada para funcionar como estacionamento de carros. 

Em TemPO:


A especulação imobiliária é cruel e não tem sensibilidade para com as coisas do espírito. Para ela é tudo business, de preferência um negócio rentável, como o do estacionamento nas áreas centrais das grandes cidades brasileiras. Esse fenômeno não ocorre só em São Luiz do Maranhão, mas em todo o país. Sendo que nas cidades com o maior número de sítios históricos, o prejuízo para o patrimônio histórico é infinitamente maior. Agora, pior do que a usura dos nossos negociantes é a indiferença das nossas autoridades para com esse patrimônio material. (Tomazia Arouche)

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