quarta-feira, 23 de abril de 2014

A poesia segundo Luís Augusto Cassas

Mar deprimido
mar de São Luis, constrangido,
que banhas as costas do Atlântico
e as costas e seios das pacíficas,
quem te roubou o azul do paraíso:
os vendedores de cloro das piscinas
ou o céu desbotado do olhar das meninas?
mar de São Luis, humilhado,
saqueado por metralhas e conquistadores
em navios que vazam óleo desde o início,
quem roubou o azul do teu sorriso:
os poetas que te deixaram abandonado
ou os petroleiros que te sujaram o vestido?
mar de São Luís, sucateado,
sobra de outros mares, poluído.
o cinzento de tuas águas
é tua bandeira de mágoas?
é o teu vestido e anágua?
choras por Antonio: o de Cleópatra?
choras por outro: o de Ana Amélia.
mar de São Luís, enrubescido,
derramas lágrimas de crocodilo,
deságuas sujas águas em praias e portos.
enches os tonéis, os lenços, os esgotos.
mar de São Luis, emaranhado
em maranhas de mar amargurados,
quem seqüestrou o teu azul-coral
deixou-te em troca o excesso de sal.
entanto, o verde que antevejo nessa manhã,
só o vislumbro detrás de óculos rayban.
a não ser que eu ponha cloro,
nas lágrimas que, em ti, choro.
“Poeta nasce poeta. Poeta nasceu Luís Augusto Cassas. Basta ler qualquer dos poemas deste livro inspirado nas pedras de memória (materiais e espirituais) de Alcântara e outras pedras que ele inventou. A liberdade com que Cassas lida com as palavras e as idéias nos desconcerta e encanta.”  (Ferreira Gullar)

 Luís Augusto Cassas é um poeta maranhense.

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