terça-feira, 30 de agosto de 2016

Entrevista com a ativista social Lucília de Sousa Costa




A nossa entrevistada é a professora, ativista social e radialista Lucília de Sousa Costa, nascida no município de Remanso e residente em São Raimundo Nonato há alguns anos.

Blog Dom Severino - professora Lucília de Sousa Costa, como você avalia este momento da vida nacional?

Lucília de Sousa Costa – Eu vejo como um grande retrocesso da nossa caminhada democrática. É como se nós estivéssemos caminhando em busca de um tesouro e quase conquistando, sofrêssemos um acidente e tivéssemos que voltar. Temos que começar tudo de novo.

BDS – Você quer dizer que esse impeachment que está se consumando representa um duro golpe na nossa jovem democracia e no avanço social?

Lucília – Eu considero um atentado e uma violação à democracia e à soberania popular. Considero sim, um retrocesso nos avanços sociais, porque são conquistas que estão se perdendo. Todos que tem lutado ao longo dos anos pelas conquistas sociais vê-se ameaçadas.

BDS – Em que momento o PT, o responsável por muitas das conquistas que mudaram o perfil sócio econômico de uma parcela significativa da sociedade brasileira se rendeu à força do mercado e do capital nacional e estrangeiro.

Lucília – Na minha opinião o Partido dos Trabalhadores (PT) sempre procurou acertar, porem cometeu erros, como por exemplo, unir-se ou aliar-se às forças tradicionais (de direita) da política tradicional e tornando-se uma vítima desses aliados.

BDS – Professora Lucília, você acha que os erros cometidos pelo PT no plano nacional se repete no plano municipal, com o PT participando de uma coligação com o Partido Progressista (PP), um partido que é considerado um algoz da presidenta Dilma Rousseff no processo do impeachment?

Lucília – Pode até não ser um erro se visto pela ótica da política de resultado, mas não acho um momento conveniente para repetir a mesma estratégia do plano nacional que resultou no que o povo brasileiro está presenciando.

BDS – Como você percebe a reação do povo nas ruas, diante da possibilidade iminente da presidenta Dilma Rousseff vir a sofrer um impeachment?  

Lucília – Eu percebo que o povo vê com muita tristeza e preocupação sobre o que virá depois do governo Dilma e ao mesmo tempo eu vejo o povo reagir com indignação diante da cassação de um mandato popular, pelas mãos daqueles que até pouco tempo participaram do seu governo.

BDS – Quem são os verdadeiros culpados e responsáveis pela provável cassação da presidenta Dilma? 

Lucília – Se levarmos em conta culpados e responsáveis, Dilma e o PT também tem suas parcelas de culpa. Não sei se por ingenuidade ou confiabilidade demais.   

BDS – Como você vê a disputa pela sucessão municipal no município de São Raimundo Nonato?

Lucília – Para ser absolutamente sincera eu não vejo nenhuma novidade. Se eu não vejo nenhuma novidade, também não percebo uma opção de escolha.

BDS – E quanto ao fato de uma das candidatas ser considerada ilegítima por não ter residência fixa em São Raimundo Nonato, o que você tem a dizer?

Lucília – Eu não vejo como preocupação o fato dela morar em Teresina, o que eu levo em conta é a motivação de ela encarar um pleito eleitoral com o intuito de se eleger prefeita de um município que ela não tem uma certa vivência e convivência com a região. 

BDS – Lucília você se sente razoavelmente uma militante de esquerda?

Lucília – Sim! Dentro da minha visão de esquerda socialista que defende uma sociedade inclusiva, livre, democrática e um país que crie oportunidade para todos.

BDS – Você teria a ousadia de votar numa chapa formada pelo partido de Ciro Nogueira e Paulo Maluf e o PT de Dilma e Lula?

Lucília – Depende das circunstâncias.  
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