domingo, 11 de setembro de 2016

“Nascer é um ato circunstancial”



 
 

Disse um certo pensador, que “nascer é um ato circunstancial”. O que isso significa? Que o nosso lugar, o lugar que gostamos, que amamos é aquele lugar nos qual nos sentimos bem e realizados plenamente. Um lugar onde residem os nossos amigos, as pessoas que amamos e onde nós nos realizamos pessoal e profissionalmente.

Como eu adoro caminhar pelas ruas de São Raimundo Nonato, admirar o seu pôr e nascer do Sol; um lugar onde tenho amigos, uma família acolhedora e um lar cercado de plantas e onde ouço os pássaros cantar livremente, ouso dizer que eu sou um sanraimundense. Hoje eu me sinto completamente identificado e integrado com este lugar mágico, de um povo simpático, muito alegre e acolhedor.

Nesses quase dois anos que moro em São Raimundo Nonato, eu descobri que o calor intenso que se verifica em alguns meses do ano, não me incomoda, muito pelo contrário, esse calor me enche de vida. Gosto de sentir esse calor intenso que não é só do clima, mas também humano, o que convenhamos, torna a nossa vida muito mais alegre, feliz e prazerosa. Quando nos sentimos deprimido aqui, para fugirmos da depressão, basta olhar o céu e a vida que nos sorri no contato com as pessoas, o que nos preenche de luz e de um calor que é vida abundante.

Se nascer é um ato circunstancial, o verdadeiro cidadão de um município, estado ou país é aquele que ama o lugar que escolheu para viver. E amar significa se dedicar ao objeto amado, às pessoas, às causas e às demandas sociais do lugar que habitamos e que escolhemos para viver.

A pessoa quando deixa de morar em determinado lugar por muito tempo, o que o faz perder a convivência e a identidade com a sua antiga comunidade, embora tenha nascido nesse lugar, não pode se considerar um cidadão ou cidadã desse lugar.

A pessoa adquire ou conquista a cidadania de um lugar, quando tem nele residência fixa, quando consome energia, água e paga seus impostos. Votar e ser votado não nos legitima como cidadão ou cidadã de um lugar. Se dizer cidadão ou cidadã de um local é muito fácil, difícil é demonstrar através de atos, gestos e atitudes. É se sentir um deles.

E mais cidadão ou cidadã a pessoa se torna de um lugar, quando essa pessoa participa ativamente da sua vida social, das suas lutas e reivindicações do seu povo. Para ser cidadão de um lugar, não basta só ter nascido nele, é preciso amá-lo, o que significar participar ativa e permanentemente do convívio social.      

por Severino Arouche de Souza Neto
Postar um comentário