sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sim, não podemos



Com essa frase que abre este texto, o presidente Barack Obama despertou o entusiasmo pela corrida presidencial nos EUA em 2008. Um entusiasmo que levou à presidência da nação mais poderosa do mundo e reconhecidamente a mais racista, um afro-americano. Um racismo que foi vencido por uma democracia plena, pela liberdade de escolha de um povo que está sempre aberto para a adversidade, para o novo e também para garantir o direito de oportunidades para todos.    

O presidente Barack Obama, pode até não ser o melhor presidente da história dos EUA, mas ele entrou definitivamente para a história do seu país e mundial, por ter tido a coragem e a determinação em dar o pontapé inicial no fim do embargo, comercial, econômico e financeiro imposto pelo seu país ao vizinho país caribenho. Um embargo (bloqueio) burro vigente desde o ano de 1962, Burro porque os norte-americanos perderam bilhões de dólares ao impedirem transações comerciais entre Cuba e EUA durante todo esse tempo.     

A recuperação econômica estadunidense embora lenta e em meio a uma grave crise financeira internacional, num momento em que até mesmo a República Popular da China que vinha experimentando um crescimento espetacular, desacelerou o seu crescimento e de lá pra cá nunca mais conseguiu voltar a crescer num ritmo capaz de reduzir o nível de pobreza de uma nação que ainda convive com mais de 200 milhões de almas vivendo abaixo da linha de pobreza, também contribuirá para enriquecer a  rica biografia do primeiro presidente negro americano.  

A ascensão de um negro ao centro do poder da nação mais poderosa do mundo, além dos pontos positivos citados acima, serviu como afirmação para um povo que vive num país rico em oportunidades para todos e no sonho americano, desde é claro, que a pessoa humana seja bem preparada intelectualmente e capaz de assumir riscos.

Hillary Clinton poderia ter sido eleita em 2016 presidenta dos EUA se uma onda de descontentamento contra uma globalização que mata empregos locais; empregos que são transferidos para países extremamente pobres, onde uma pessoa sobrevive apenas com um dólar americano, não tivesse jogado contra sua eleição.

Traço um paralelo

Num país com apenas 20% da sua população negra, onde um negro torna-se presidente da república, todos podem chegar lá. Neste momento traço um paralelo entre EUA e o Brasil. Enquanto os EUA têm um presidente negro e quase elegeu uma mulher presidenta, o Brasil, um país onde os sociólogos vivem pregando a existência de uma democracia racial, o negro quase não chega a Suprema Corte, raramente chega aos postos de general, almirante, brigadeiro, cardeal e as mulheres só ocupam posições inferiores no escalão ministerial, quando chegam. No governo Michel Temer, por exemplo, não existe negro e mulher no primeiro escalão.

Ocorre que o nosso modelo político nunca permitiu que as minorias tivessem oportunidades iguais aos assegurados a elite branca e machista.

Sim, podemos! Ainda não!
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