sexta-feira, 26 de maio de 2017

A poesia segundo Alex Brasil



Esteta

Escrevo com fúria:
pedem moderação.
Escrevo sem mesura:
pedem contenção.
Escrevo alucinadamente,
rimando desmetrificadamente uma curva
com uma reta,
o caos da chuva
com a retidão da seta
o zero com o infinito,
o silêncio com o grito...
E me repreende o esteta,
que mais é menos
na arte do poético,
que o grande é pequeno
na lucidez do simétrico.
Enquanto isso a vida berra,
a ferida sangra,
o mundo é uma guerra
girando em corda-bamba;
o coração é um paradoxo,
em louca arritmia,
e o mundo não tem nexo,
assim como a minha poesia.

Alex Brasil é um poeta, publicitário e membro da Academia Maranhense de Letras (AML)
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