sábado, 4 de dezembro de 2010

"Panaquatira Peixe Pedra Peixe Serra"

Como todo aventureiro que se preza, eu tenho uma vida marcada por muitas paixões. Paixões que deixaram marcas, outras vestígios, mas todas de alguma maneira, não passaram por mim e não me foram indiferentes, mesmo com tantos anos já passados. Amores ao Norte, amores ao Sul. Grandes amores dos quais sinto saudades, porque cada um ao seu modo, jeito e estilo, me fizeram sangrar, sofrer; mesmo que  eu não tenha demonstrado, até porque eu tive que partir e eles não me viram verter lágrimas de saudades, quando distante, nos momentos de tristeza e solidão, na minha mente as saudades surgiam como as imagens de um filme que estava sendo reproduzido.

Eu poderia elencar aqui vários nomes, mas vou me deter apenas em um, de todos, o mais significativo, por ter sido ele o grande responsável por eu ter redescoberto o Maranhão e por ter voltado a me interessar pelas suas coisas, as coisas e valores desse estado que me viu chorrar pela  primeira vez. Manira Aboud é o nome desse ser maravilhoso, que com a sua dedicação, carinho, amor e zelo, me revelou um novo Maranhão. Não necessariamente nessa ordem. Ela me fez voltar a amar a rica e forte cultura de um estado que é ao lado de estados como Pernambuco e Rio Grande do Sul,  são os que mais preservam os seus valores culturais.

Foi Manira que me apresentou a música de Sérgio Habibe, Célia Leite, Cesar Teixeira, Josias Sobrinho e Papete. Foi a partir dela, que passei a me interessar pela arte e a cultura produzida no meu estado de origem. Antes dela eu não conhecia o teatro de Aldo Leite, a pintura de Fransoufer, a arte plural e engajada de Waldelino Cécio, a poesia de Laura Amélia Damous, a arte popular comprometida de Nonato Pudim (?) e a ideologia de Maria Aragão, de saudosa memória.

Já que estou falando de amores, não poderia deixar de citar outro grande amor da minha vida, que foi Rosa Mochel. Amor não do tipo que o homem sente por uma mulher, ou seja, um amor feito de paixão e desejo. Esse amor a que me refiro, foi um amor nascido da paixão comum pela natureza. Um amor que nasceu a primeira vista, quando nós nos encontramos pela primeira vez  no seu sitio no Maracanã, interior da ilha de São Luís. Rosa Mochel, que é uma referência como ambientalista. Rosa Mochel que criou o Projeto Euterpe,
que deu origem à Festa da Juçara, um evento realizado até hoje no Maracanã.

Foi curta a nossa convivência, mas o tempo suficiente para eu passasse a encarar a natureza sob outro prisma. Esse foi um encontro definitivo.

Em TemPo:

A foto é do belo, imponente e majestoso Palácio dos Leões (Palácio do Governo do Maranhão) que tem como quintal, o Oceano Atlântico.

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Um comentário:

José María Souza Costa disse...

Dom Severino. Boa tarde. Lendo o seu texto, que ousadamente chamarei de " uma cronica sentimental com perfume de outros tempos", vem à idéia, a qual imaginava, que somente eu choraria, ou chorei ou choro.Não vou me alongar.Mas, rendo aqui o meu apreço, a este texto que postas,de um teor Belíssimo, com uma experiencia Avassaladora.Enobrecer o passado,avançar desenhando o futuro, é conviver de modo salutar com o "aroma" da Vida.
Parabéns.