quarta-feira, 12 de março de 2014

A poesia segundo José Craveirinha

UM HOMEM NUNCA CHORA

Acreditava naquela história
do homem que nunca chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.

Agora tremo.
 E agora choro.

Como um homem treme.
Como chora um homem!


SEM TÍTULO

Não sei se existe Deus.
Mas se Deus existe
Ele está com toda a certeza
a comer comigo esta farinha
no mesmo prato.



JOSÉ CRAVEIRINHA nasceu em Lourenço Marques (atual Maputo, Moçambique) em 1922 e faleceu em 2003.

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