O
destacamento de tropas russas na Criméia fez soar o alarme nos corredores da
União Européia.
Os dirigentes dos 28 Estados membros estiveram reunidos na
Cimeira de Bruxelas, na quinta-feira passada, e responderam com a suspensão
imediata das negociações da liberalização dos vistos, assim como os
preparativos diplomáticos para a realização do G8 em Sochi, prevista para o mês
de junho. A ameaça das sanções é palpável:
“Qualquer
outra tentativa para desestabilizar a Ucrânia, terá consequências graves nas relações com a União
Européia e os Estados membros e em alguns acordos econômicos com a Federação
Russa”, declarou o presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy.
Se a arma econômica for utilizada com seriedade, muitos
analistas calculam que todos saem perdendo desse braço de ferro. Os europeus
têm menos a perder do que os russos.
As
exportações européias para a Rússia constituem
1% do PIB dos
28, mas exportações de Moscou para a União representam 15% do PIB russo.
O
instituto de pesquisa Oxford Econômicos calcula que uma guerra econômica entre
os dois blocos obrigará à subida dos preços da energia na Europa: mais 15% para
o gás, mais 10% para o petróleo, o que pode fazer recuar o PIB da
zona euro 1,5% até 2015.
Do lado russo, um embargo sobre 80% das vendas energéticas farão recuar o PIB 10% até 2015 e o instituto Oxford Economics vaticina ainda a queda do rublo e uma súbita inflação.
Entre os membros da União
Européia, alguns estão mais expostos. Carsten Brzeski, analista do banco ING, cita o exemplo da Alemanha: “A
Alemanha depende muito do gás russo importado através da Ucrânia. Essa é a
ligação. Muitas empresas alemãs também investiram na Rússia porque se supunha
ser um mercado em crescimento.”
Um terço do gás e do petróleo consumido na Alemanha prove da
Rússia. Cerca de seis mil empresas alemãs estão lá implantadas e cerca de 200
mil empregos na Alemanha dependem do comércio com os russos. Argumentos
suficientes para incitar Berlim a convencer Moscou a resolver os problemas à
mesa das negociações. com Euronews
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