sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Resignação do sertanejo, por Nilda Ribeiro*

Hoje eu estava e um supermercados quando observei a conversa entre dois conhecidos. Um senhor ao cumprimentar o outro, pergunta-lhe como estava. Este prontamente responde: “estou bem graças a Deus, mas só faltava chuva”.  O senhor concorda com o amigo dizendo que realmente a seca estava horrível.
Porem, para espanto de todos, o segundo sertanejo com muita tranqüilidade, sorrindo diz que é a vontade de deu e nada se pode fazer, e ainda afirma: “o jeito é a gente se conformar e seguir adiante”. E continuou conversando como o seu amigo muito contente como se o caos pela falta de chuva não estivesse batendo a sua porta.
Fiquei pensativa, como um individuo aceita com tanta resignação uma situação tão caótica como a seca no semiárido nordestino para os agricultores, sua plantação secando e os animais morrendo de sede e fome. Eles acreditam que é a vontade de Deus e está tudo bem. Será fé ou conformismo? É para ficar otimista ou preocupada?
Será que esta coragem é benéfica para este povo que vive de forma leve sem se estressar com os problemas do clima seco que todos os anos castigam a região, roubando-lhes a fonte de sustentação da maioria dos ruralistas, que é a produção agrícola. Possivelmente o único recurso que a seca não tira desta população é a esperança, que o ano seguinte será melhor e vai ter chuva em abundância.
Esta é a realidade nordestina, o povo passa por todo tipo de privação: falta chuva, água, pastagem para os animais o até mesmo alimento para muitos pais de família. O sol é escaldante, o calor é aterrorizador, mas os habitantes desta terra conseguem sorrir de toda situação com muito bom humor. Aceitam resignados que a chuva vai cair no dia que Deus quiser e tudo ficará bem.

Nilda Ribeiro é professora e diretora de redação da revista SONRA. 

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