segunda-feira, 13 de junho de 2016

A poesia segundo Fernando Abreu



ANUNCIAÇÃO

Não é o mal quem te espreita sob a pele
Quando afagas os desvãos do rosto
Explorando a estatuária paciente
Que só no alvo dos dentes se revela

Ritual de mútuo reconhecimento
Onde jamais falsidade se admite
Nenhuma lâmina elide esse momento
Nem estátua de sal corrompe o mito

Aos poucos um sorriso se insinua
Músculos que estalam em degelo
Espelhos secretos que se instalam
Entre a cal da carne e a alma nua

Até que toda a tua face se ilumina
Luz que te reveste feito um manto
Disfarce para os dias transparentes
Blindagem para as noites mais escuras.

Fernando Abreu é um maranhense de São Luís é letrista de música popular, tendo entre seus parceiros, Chico César, e os maranhenses Chico Nô, Neto Peperi, Gerson da Conceição, Zeca Baleiro e Nosly. Os três últimos gravaram parcerias com o autor em seus discos, sendo as mais conhecidas, Alma Nova, Rock do Cachorro Doido e Guru da Galera, lançadas por Zeca Baleiro.
Livros anteriores de poesia: Relatos do Escambau  (Exodus, 1998)  e O Umbigo do Mudo (Clara Editora, 2003).  Editou a revista de poemas Uns & Outros, com os integrantes do grupo Akademia dos Párias.
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