segunda-feira, 13 de junho de 2016

ELOMAR - O violeiro



Sobre Elomar Figueira de Mello, disse o poetinha Vinicius de Moraes

Conheci a música de Elomar nas inesquecíveis tardes de domingo de animada conversa, regadas a uma boa cerveja, no apartamento dos amigos Laéria Fontenele e Carlos Augusto Viana lá pelos idos dos anos oitenta. “Elomar …Das barrancas do Rio Gavião” era um dos discos que mais escutávamos. Desde então nunca mais deixei de ouvir Elomar, sempre com renovada emoção, seja pelos acordes melodiosos de sua viola seja pelas inspiradas letras de suas canções.  “Cantiga de amigo”, que ouço enquanto escrevo este texto, me desperta especial emoção. Ao longo dos anos, esta canção foi se convertendo para mim num autêntico hino de celebração à amizade e ao amor.

Além de compositor e cantor, Elomar é também fazendeiro, dedicando-se à criação de bodes, peculiaridade sempre lembrada quando se fala do músico nascido em Vitória da Conquista, na Bahia.

Sobre Elomar escreveu o poeta Vinícius de Moraes:  “A mim me aprece um disparate que exista mar em seu nome, porque um nada tem a ver com o outro. No dia em que ‘o sertão virar mar’, como na cantiga, minha impressão é que Elomar vai juntar seus bodes, de que tem uma grande criação em sua fazenda ‘Duas Passagens’, entre as serras da Sussuarana e da Prata, em plena caatinga baiana, e os irá tangendo até encontrar novas terras áridas, onde sobrevivam apenas os bichos e as plantas que, como ele, não precisam de umidade para viver, e ali fincar novos marcos e ficar em paz entre suas amigas, as cascavéis e as tarântulas, compondo ao violão suas lindas baladas e mirando sua plantação particular de estrelas que, no ar enxuto e rigoroso, vão se desdobrando à medida que o olhar se acomoda ao céu, até penetrar novas fazendas celestes, além, sempre além, no infinito latifúndio”. 


“Salve o menestrel das caatingas! Elomar é artista único e de uma profundidade tão verdadeira que não se pode classificar. Suas músicas são manifestações espontâneas da sua alma e dos espíritos de tudo o que ele canta: dos campos áridos, dos animais e das coisas agrestes, do rio seco, dos intrépidos e sofredores sertanejos. É medieval sem ser europeu; é brasileiro sendo universal. É o Nordeste cantado e tocado em forma atemporal. Salve Elomar Figueira Mello”. (Anônimo)
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